A Associação Parceria Contra Drogas é uma ONG sem fins lucrativos, em operação desde abril de 1996, constituída por vários integrantes da iniciativa privada – empresários e publicitários, cuja missão é a criação e divulgação de campanhas educativas de caráter preventivo contra o uso e abuso de drogas ilícitas, e também estruturamos e implementamos programas de prevenção, capacitação de educadores e professores.
Realizamos estes programas em Escolas , Empresas e Comunidades em todo Brasil.
São Fundadores da Associação os empresários: Luiz Roberto Valente Filho (atual Presidente), Mauro de Salles Aguiar, Luiz Fernando Furlan, Abram Szajman, Hiran Castello Branco, Horácio Lafer Piva, Raul Cruz Lima, Luiz Fernando Furquim, Gilberto Dimenstein, Lincoln da Cunha Pereira, Ives Gandra Martins, Maria Christina de Andrade Vieira, Celso Giacometti, Maria Christina Carvalho Pinto, Francisco Socorro, Octavio Florisbal, Olavo Setúbal, entre outros.
São Diretores Colaboradores da Associação Parceria Contra Drogas: Antonio Beltran Martinez, Antonio Jacinto Matias , Adilson Primo, Agnaldo Calbucci, Alcides Tápias, Alex Periscinoto, Carlos Alberto Silveira, César Pretti, Carlos Jacomine, Fabio Barbosa, Fernando Monteiro Alves, Fernando Terni, Hugo Miguel Etchinique, Isaac Jardanovski, José Roberto Marcellino dos Santos, Lázaro Brandão, Leandro Burti, Lineu Ricardo Kern, Luis Carlos dos Anjos, Marcio Arthur Laurelli Cypriano, Miguel Jorge, Moíse Y. Safra, Paulo Periquito, Pedro Luis Dias, Pedro Mauro Salles, Peter Dam, Rafael Antonio Nogueira de Freitas, Renato Gasparetto, Roberto Setúbal, Roberto Lima, Roger Agnelli, Roger Pratt, Sergio Mindlin, Walter Sigollo, Walter Fontana.
Os veículos de comunicação veiculam gratuitamente os filmes, criados voluntariamente pelos mais brilhantes profissionais da propaganda brasileira.
Além disso, as peças de divulgação são avaliadas previamente por um grupo de psiquiatras, psicólogos, professores e terapeutas, conhecedores dos anseios e problemas dos jovens diante das drogas. Assim, todas as mensagens veiculadas pela APCD vão ao ar com o aval desses profissionais, da Comissão Técnica da APCD.
Já foram ao ar mais de 77 filmes para televisão, partes de diversas campanhas voltadas para alertar para os riscos das drogas, abrangendo todos os públicos alcançados pela comunicação, e no ano de 2006 começamos a passar os filmes nos Cinemas antes das sessões.
O objetivo dessas campanhas é exatamente o de persuadirem jovens e alertar pais, de forma eficaz, para a prevenção e efeitos das Drogas.
Desde junho 2001, a APCD é uma entidade de Utilidade Pública Federal e Estadual, e em 2009 também Utilidade Publica Municipal.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
“O CRACK DESTROI O Homo sapiens”
O psiquiatra Eduardo Kalina, médico argentino é uma das maiores autoridades em dependência química e Diretor médico do Brain Center, em Buenos Aires, desde 1994.
“Não existe cura total definitiva porque o cérebro se modifica a partir da experiência com a droga, aprende uma nova linguagem que não esquece nunca.”
ZH – O Sr. Disse que o cérebro nunca esquece a sensação provocada pela droga, lembrando que a “cura” da dependência química exige uma abdicação total das drogas, incluindo o cigarro e o álcool. Não há uma cura para a dependência química?
Kalina - A palavra cura é uma palavra que tem muitos significados. Por Exemplo: uma pessoa tem um surto de apendicite. Você opera, retira o apêndice doente e aquilo curou para sempre, nunca mais vai ter apendicite porque não tem mais apêndice. Esse é um conceito de cura total, definitiva. Porem, no campo das drogas, o conceito de cura é diferente.
T.E. - Justifica o porquê nós chamamos de RECUPERAÇÃO.
ZH – Como seria esse conceito?
K – Não existe cura total definitiva porque o cérebro se modifica a partir de experiência com a droga, aprende uma nova linguagem, que não esquece nunca. Uma pessoa fuma 20 cigarros por dia, começa com 15 anos , quando tem 25 anos, para. Cinqüenta anos depois, a pessoa tem 75 anos, passou 50 anos sem fumar, acende um cigarro e, oito, 10 segundos depois, aquela coisa que se modificou no cérebro acorda e a pessoa começa a ter necessidade de fumar. Não esqueceu nunca essa nova linguagem aprendida com a nicotina. Num futuro próximo, com a medicina genética, quando poderemos fazer modificações genéticas, provavelmente vai haver cura definitiva. Agora o que nós chamamos de cura é quando a pessoa aprende a dizer não. Para controlar a droga, compensamos com remédios, fazendo com que o cérebro acomode à normalidade, mas não tem garantia nenhuma. É preciso desdrogar-se. Tirar todas as drogas, porque muitas pessoas querem parar o álcool, mas seguem consumindo o tabaco. E o risco de voltar é grande.
T.E. - Evite o primeiro gole. Pare também de fumar; caso contrário a recaída será muito provável.
ZH – Acredita que é preciso abdicação total?
Kalina – Toda pessoa que compreende que para sair das drogas é preciso abdicar de tudo, uma parada total, incluindo álcool e tabaco, está praticamente curada. Para quem deseja seguir fumando e bebendo de quando em quando, o numero de recaídas será muito grande.
TE – Veja a justificação dos princípios de uma CT, abstinência total e mudança de vida através do auxilio da espiritualidade. Eu sempre digo: “Sem conversão não há recuperação”
ZH – A recuperação do crack é mais difícil?
Kalina – Não existem duas pessoas iguais, não é possível fazer generalizações. A recuperação é difícil porque o crack provoca muitos danos, e algumas lesões são irreversíveis. Alem disso, muitos usuários têm uma vida pobre, sem uma boa nutrição, não usavam muito o cérebro, então, ele estraga mais rápido. Temos um caso agora na Argentina de uma advogada, que começou a consumir já sendo uma profissional com boa posição. Ela passou mais de um ano consumindo, depois pediu ajuda e foi tratada. Eu a conheci em um programa de TV em que ela esta contando os danos que tinha sofrido. Ela conseguiu um bom nível de recuperação e agora esta bem melhor porque era uma pessoa bem alimentada, com um cérebro que trabalhava, mais ativo, tinha todas as condições para sair. Muitos que começam na adolescência ou na infância não conseguem. Uma pessoa culta que tem Alzheimer demora muito mais para decair quando comparada a pessoas que não usaram muito o cérebro.
ZH – A partir de um estudo mais detalhado do cérebro é possível redimensionar a recuperação?
Kalina – Claro. Dependendo de como esta lesionado o cérebro, podemos recuperar mais ou menos. Há pessoas em que estamos testando a técnica de reabilitação cognitiva. Algumas delas tiveram uma boa formação, então conseguimos muitas coisas mais rápido do que com aquele menino de rua que usa crack e fica afetado de uma forma horrível em pouco tempo.
ZH – Existe algum momento do tratamento de recuperação que é mais difícil?
Kalina – Desde a primeira etapa, quando nós temos que limpá-los, porque não conhecemos o que usaram. Não é uma substancia sempre igual, preparam com um monte de porcarias. Imagine um menino de 10 anos, mal alimentado, sem escolaridade, e que começa a fumar compulsivamente. Ataca sistema respiratório, coração, artérias. Alguns deles parecem velhos. É muito difícil, é preciso medicar muito bem, ter recursos, e geralmente o governo nunca tem recursos para essas coisas.
ZH – No RS, há muitas comunidades terapêuticas independentes que colocam os usuários em atividades ligadas à agricultura, algumas delas ligadas a rituais religiosos. Elas tem algum sucesso. Como o senhor avalia esse tipo de comunidade?
Kalina – Para mim, essa é uma segunda etapa (CT). A primeira é medica, psiquiátrica e clinica. Por exemplo, essa mulher mencionada antes (advogada) estava com anemia, produzida pelos tóxicos. Tivemos que tratar a anemia, a hipertensão, tratamos uma serie de problemas físicos e do cérebro. E, agora que ela esta bem, os tratamentos sociais de recuperação, como fazendas ou comunidades, são muito importantes. Porem, é preciso primeiro um grande tratamento biológico ou ficam danos irreversíveis.
ZH – Essa segunda etapa também incluiria um atendimento psicológico, por exemplo?
Kalina – Claro. Conviver em grupo, trabalhar, tudo isso auxilia a pessoa a se ressocializar. Ao mesmo tempo, quando o paciente está muito doente, na primeira fase do tratamento muitas vezes usamos a terapia individual para ajudar. Chamamos de “limpeza” esse período de desintoxicação. Para isso, os remédios ajudam muito. Acho um erro muito grande não tratar toda a parte biológica, que com o crack fica muito comprometida, especialmente o cérebro frontal, que é a região que permite sermos pessoas civilizadas.
ZH – Explique melhor essa função do cérebro frontal?
Kalina – Quando esses meninos têm danos importantes no cérebro frontal, eles deixam de funcionar como pessoas, são como macacos. Nós tratamos com medicamentos e fazemos trabalhos cognitivos para fazer a região voltar a funcionar. Quando ela é atrofiada, a pessoa vira um gorila. Você precisa da parte frontal para pensar em Deus, ter espiritualidade crenças, filosofia, ver o sentido da vida. Os meninos que ficam com dano nessa zona, a maioria dos que entram em crack e cocaína, viram animais. Eles matam porque gostam de um tênis que a pessoa usava. Pegam o tênis e vão embora,não importa se mataram uma pessoa que tem família, não importa nada.
ZH – O senhor esta dizendo que o crack tira o sentido de civilização do homem. Ela é a droga mais devastadora nesse sentido até agora?
Kalina – Claro. O crack faz voltar o Homem de Neandertal, destrói o homo sapiens. Por isso digo: o governo que não luta contra isso esta permitindo o suicídio.
ZH – Que conselho daria a uma família de um jovem que convive, por exemplo, em um ambiente onde circula o crack?
Kalina - Primeiro, dar um bom exemplo. Um pai que toma um copo de vinho no jantar não esta criando um filho toxicômano. Porem, um pai que esta todo dia fumando e que bebe muito não pode dizer ao filho que não consuma, porque ele esta consumindo. Muitas pessoas não se dão conta de que estão constantemente dando exemplos. Segundo, é importante, desde criança, ensinar o perigo que isso significa. Nos EUA, em um colégio com crianças entre sete e 12 anos, fizeram um jogo que teria como premio uma viagem à Disney de graça. Todos queriam participar e perguntaram: “Como é a prova?” Disseram a eles que teriam de atravessar uma fossa com jacarés. Então ninguém quis brincar, todos responderam não, porque o jacaré devora, bate com o rabo e pode quebrar a cabeça. Então o doutor que organizou esse jogo falou: “Toda criança sabe o perigo dos jacarés. Temos que fazer o mesmo com nossos filhos, para que eles aprendam o perigo da droga”. Quando se explica à criança pequena o perigo do cigarro, ela luta para que os pais parem de fumar. Temos que fazer o mesmo com a droga, um trabalho de educação, informação e prevenção. E, alem disso controlar a presença da droga, não facilitar, não legalizar, cuidar muito, proibir a apologia à droga.
ZH – Existem algumas características recorrentes entre as pessoas que são usuárias de droga ou não se pode identificar isso?
Kalina – Sim, pode-se dizer. Quem conhece esse tema, consegue identificar aqueles que podem ir às drogas. Jovens que tem conflitos, são impulsivos ou tem uma família onde há patologia, tem muito mais facilidade de chegar às drogas. Um grupo de estudiosos americanos avaliou que se estudássemos, entre crianças adolescentes aquelas que tem componentes depressivos ou bipolares, seria possível prevenir muito o uso de drogas. Por isso é preciso cuidar por fora para que a droga não chegue até a pessoa . Detectar e diagnosticar aqueles que podem usar drogas e trabalhar com eles. Infelizmente hoje no Brasil, tem muitos músicos, pintores políticos, jornalistas, opinando sobre drogas e muito pouco se trabalha com profissionais da saúde. Esse tema tem que ser tratado como uma emergência nacional.
“Não existe cura total definitiva porque o cérebro se modifica a partir da experiência com a droga, aprende uma nova linguagem que não esquece nunca.”
ZH – O Sr. Disse que o cérebro nunca esquece a sensação provocada pela droga, lembrando que a “cura” da dependência química exige uma abdicação total das drogas, incluindo o cigarro e o álcool. Não há uma cura para a dependência química?
Kalina - A palavra cura é uma palavra que tem muitos significados. Por Exemplo: uma pessoa tem um surto de apendicite. Você opera, retira o apêndice doente e aquilo curou para sempre, nunca mais vai ter apendicite porque não tem mais apêndice. Esse é um conceito de cura total, definitiva. Porem, no campo das drogas, o conceito de cura é diferente.
T.E. - Justifica o porquê nós chamamos de RECUPERAÇÃO.
ZH – Como seria esse conceito?
K – Não existe cura total definitiva porque o cérebro se modifica a partir de experiência com a droga, aprende uma nova linguagem, que não esquece nunca. Uma pessoa fuma 20 cigarros por dia, começa com 15 anos , quando tem 25 anos, para. Cinqüenta anos depois, a pessoa tem 75 anos, passou 50 anos sem fumar, acende um cigarro e, oito, 10 segundos depois, aquela coisa que se modificou no cérebro acorda e a pessoa começa a ter necessidade de fumar. Não esqueceu nunca essa nova linguagem aprendida com a nicotina. Num futuro próximo, com a medicina genética, quando poderemos fazer modificações genéticas, provavelmente vai haver cura definitiva. Agora o que nós chamamos de cura é quando a pessoa aprende a dizer não. Para controlar a droga, compensamos com remédios, fazendo com que o cérebro acomode à normalidade, mas não tem garantia nenhuma. É preciso desdrogar-se. Tirar todas as drogas, porque muitas pessoas querem parar o álcool, mas seguem consumindo o tabaco. E o risco de voltar é grande.
T.E. - Evite o primeiro gole. Pare também de fumar; caso contrário a recaída será muito provável.
ZH – Acredita que é preciso abdicação total?
Kalina – Toda pessoa que compreende que para sair das drogas é preciso abdicar de tudo, uma parada total, incluindo álcool e tabaco, está praticamente curada. Para quem deseja seguir fumando e bebendo de quando em quando, o numero de recaídas será muito grande.
TE – Veja a justificação dos princípios de uma CT, abstinência total e mudança de vida através do auxilio da espiritualidade. Eu sempre digo: “Sem conversão não há recuperação”
ZH – A recuperação do crack é mais difícil?
Kalina – Não existem duas pessoas iguais, não é possível fazer generalizações. A recuperação é difícil porque o crack provoca muitos danos, e algumas lesões são irreversíveis. Alem disso, muitos usuários têm uma vida pobre, sem uma boa nutrição, não usavam muito o cérebro, então, ele estraga mais rápido. Temos um caso agora na Argentina de uma advogada, que começou a consumir já sendo uma profissional com boa posição. Ela passou mais de um ano consumindo, depois pediu ajuda e foi tratada. Eu a conheci em um programa de TV em que ela esta contando os danos que tinha sofrido. Ela conseguiu um bom nível de recuperação e agora esta bem melhor porque era uma pessoa bem alimentada, com um cérebro que trabalhava, mais ativo, tinha todas as condições para sair. Muitos que começam na adolescência ou na infância não conseguem. Uma pessoa culta que tem Alzheimer demora muito mais para decair quando comparada a pessoas que não usaram muito o cérebro.
ZH – A partir de um estudo mais detalhado do cérebro é possível redimensionar a recuperação?
Kalina – Claro. Dependendo de como esta lesionado o cérebro, podemos recuperar mais ou menos. Há pessoas em que estamos testando a técnica de reabilitação cognitiva. Algumas delas tiveram uma boa formação, então conseguimos muitas coisas mais rápido do que com aquele menino de rua que usa crack e fica afetado de uma forma horrível em pouco tempo.
ZH – Existe algum momento do tratamento de recuperação que é mais difícil?
Kalina – Desde a primeira etapa, quando nós temos que limpá-los, porque não conhecemos o que usaram. Não é uma substancia sempre igual, preparam com um monte de porcarias. Imagine um menino de 10 anos, mal alimentado, sem escolaridade, e que começa a fumar compulsivamente. Ataca sistema respiratório, coração, artérias. Alguns deles parecem velhos. É muito difícil, é preciso medicar muito bem, ter recursos, e geralmente o governo nunca tem recursos para essas coisas.
ZH – No RS, há muitas comunidades terapêuticas independentes que colocam os usuários em atividades ligadas à agricultura, algumas delas ligadas a rituais religiosos. Elas tem algum sucesso. Como o senhor avalia esse tipo de comunidade?
Kalina – Para mim, essa é uma segunda etapa (CT). A primeira é medica, psiquiátrica e clinica. Por exemplo, essa mulher mencionada antes (advogada) estava com anemia, produzida pelos tóxicos. Tivemos que tratar a anemia, a hipertensão, tratamos uma serie de problemas físicos e do cérebro. E, agora que ela esta bem, os tratamentos sociais de recuperação, como fazendas ou comunidades, são muito importantes. Porem, é preciso primeiro um grande tratamento biológico ou ficam danos irreversíveis.
ZH – Essa segunda etapa também incluiria um atendimento psicológico, por exemplo?
Kalina – Claro. Conviver em grupo, trabalhar, tudo isso auxilia a pessoa a se ressocializar. Ao mesmo tempo, quando o paciente está muito doente, na primeira fase do tratamento muitas vezes usamos a terapia individual para ajudar. Chamamos de “limpeza” esse período de desintoxicação. Para isso, os remédios ajudam muito. Acho um erro muito grande não tratar toda a parte biológica, que com o crack fica muito comprometida, especialmente o cérebro frontal, que é a região que permite sermos pessoas civilizadas.
ZH – Explique melhor essa função do cérebro frontal?
Kalina – Quando esses meninos têm danos importantes no cérebro frontal, eles deixam de funcionar como pessoas, são como macacos. Nós tratamos com medicamentos e fazemos trabalhos cognitivos para fazer a região voltar a funcionar. Quando ela é atrofiada, a pessoa vira um gorila. Você precisa da parte frontal para pensar em Deus, ter espiritualidade crenças, filosofia, ver o sentido da vida. Os meninos que ficam com dano nessa zona, a maioria dos que entram em crack e cocaína, viram animais. Eles matam porque gostam de um tênis que a pessoa usava. Pegam o tênis e vão embora,não importa se mataram uma pessoa que tem família, não importa nada.
ZH – O senhor esta dizendo que o crack tira o sentido de civilização do homem. Ela é a droga mais devastadora nesse sentido até agora?
Kalina – Claro. O crack faz voltar o Homem de Neandertal, destrói o homo sapiens. Por isso digo: o governo que não luta contra isso esta permitindo o suicídio.
ZH – Que conselho daria a uma família de um jovem que convive, por exemplo, em um ambiente onde circula o crack?
Kalina - Primeiro, dar um bom exemplo. Um pai que toma um copo de vinho no jantar não esta criando um filho toxicômano. Porem, um pai que esta todo dia fumando e que bebe muito não pode dizer ao filho que não consuma, porque ele esta consumindo. Muitas pessoas não se dão conta de que estão constantemente dando exemplos. Segundo, é importante, desde criança, ensinar o perigo que isso significa. Nos EUA, em um colégio com crianças entre sete e 12 anos, fizeram um jogo que teria como premio uma viagem à Disney de graça. Todos queriam participar e perguntaram: “Como é a prova?” Disseram a eles que teriam de atravessar uma fossa com jacarés. Então ninguém quis brincar, todos responderam não, porque o jacaré devora, bate com o rabo e pode quebrar a cabeça. Então o doutor que organizou esse jogo falou: “Toda criança sabe o perigo dos jacarés. Temos que fazer o mesmo com nossos filhos, para que eles aprendam o perigo da droga”. Quando se explica à criança pequena o perigo do cigarro, ela luta para que os pais parem de fumar. Temos que fazer o mesmo com a droga, um trabalho de educação, informação e prevenção. E, alem disso controlar a presença da droga, não facilitar, não legalizar, cuidar muito, proibir a apologia à droga.
ZH – Existem algumas características recorrentes entre as pessoas que são usuárias de droga ou não se pode identificar isso?
Kalina – Sim, pode-se dizer. Quem conhece esse tema, consegue identificar aqueles que podem ir às drogas. Jovens que tem conflitos, são impulsivos ou tem uma família onde há patologia, tem muito mais facilidade de chegar às drogas. Um grupo de estudiosos americanos avaliou que se estudássemos, entre crianças adolescentes aquelas que tem componentes depressivos ou bipolares, seria possível prevenir muito o uso de drogas. Por isso é preciso cuidar por fora para que a droga não chegue até a pessoa . Detectar e diagnosticar aqueles que podem usar drogas e trabalhar com eles. Infelizmente hoje no Brasil, tem muitos músicos, pintores políticos, jornalistas, opinando sobre drogas e muito pouco se trabalha com profissionais da saúde. Esse tema tem que ser tratado como uma emergência nacional.
domingo, 2 de maio de 2010
Fernanda e Pedro
Queridos noivos, Fernanda e Pedro, amados pais, irmãos, padrinhos, familiares, amigos, aqui nos encontramos, cheios de alegria, em oração para celebrar o matrimonio de Fernanda e Pedro. Um dia de grande alegria.
A Fernanda e o Pedro quiseram casar-se em ambiente de Eucaristia, junto dos seus familiares e amigos, escutando a Palavra do Bom Deus. Querem fazer do seu casamento um sacramento, querem torná-lo para o mundo um sinal e um instrumento dessa alegria de Deus, dessa comunhão própria do nosso Deus família: Pai, Filho e Espírito Santo.
Fernanda e Pedro, esta é a certeza e tesouro maior que devereis levar deste maravilhoso dia. Aquele que aqui vos trouxe é o mesmo que hoje se manifesta no vosso amor e no sacramento da Eucaristia, prova máxima do amor de Deus, que envolve graciosamente o vosso matrimonio.
Bem sabeis que não me refiro a um deus distante, justiceiro, amigo de conflitos. Refiro-me Aquele que vos fala no coração. Falo-vos d’Aquele que vos faz acreditar no sonho da família. Sim fala-vos do Deus família, Deus Amor. Aquele Deus que vos uniu já no vosso namoro, aquele Deus a quem rezaste na vossa intimidade para o vosso encontro acontecer.
Entre as pessoas que trazeis no santuário dos vossos corações alguém tenho que destacar: os vossos pais, aqueles que mais vos amam. Fernanda, a tua mãe Mirna e do teu Pai Cléo; Pedro, a tua mãe Cristina e o teu pai Pedro o qual deixou muita saudade. Fernanda e Pedro recebestes e continuareis a receber o testemunho do Amor dos vossos pais. No amor quotidiano da mãe, no silêncio de tantos gestos do pai, na doação de tantos momentos dos dois,... experimentastes e conhecestes o amor. Sei como Eles são importantes nas vossas vidas e da gratidão que lhes tendes. Ao amor que dEles recebestes, respondei-lhes com amor e felicidade do vosso lar!
A Escritura fala-nos de dois tipos de casa. Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. (Mt 7, 24.26). Ela não pode ser mais clara. O Amor é o fundamento. O nosso Deus é Amor. Ele é o fundamento. Haja o que houver nele tudo terá sustento e sentido, e nele, a vossa casa será sempre mais feliz. A casa fundada no Bom Deus está de tal modo segura de si que apesar das contrariedades, dificuldades, injustiças... É mais forte que tudo isso. Aquela que se edificada noutros alicerces sujeita às intempéries acaba por cair. Sabeis bem que sobre a areia nenhuma casa se sustém. Sabeis bem que a areia pode cegar. Nunca vos deixei levar pela desconfiança, pelo amor próprio, pela indiferença, pelo comodismo. Quando aparecerem grãos de areia transforme-os em rocha!
Pedro, o teu nome define o homem como pedra firme. Sei da grandeza do teu espírito e da coerência das tuas opções. Que a memória do teu nome te empenhe sempre a construir com a Fernanda a vossa casa fundada no Amor de Deus e sereis sempre e mais felizes.
Fernanda, o teu nome significa ousada, Deus é assim de repente, surpreendente. Sei do sentido que dás à vida e do empenho que nela colocas. Recorda-te sempre que do mesmo modo que um dia terás um filho em teu ventre, assim Deus vos tem. Constrói com o Pedro a vossa casa fundada no Amor de Deus e sereis sempre e mais felizes.
Nem tudo será simples ou fácil! Viver em família significa doação para acolher, serviço para festejar, renúncia para valorizar. Sempre em nome do amor, sempre para que haja mais amor e alegria. Certamente virão as dificuldades. Algumas já conhecem, outras vos surgirão. Nem sempre as vontades vão coincidir. Educar os filhos nem sempre será fácil. O cansaço e as tensões surgirão. Não tenhais medo! Fiel no amor, tudo isso vos servirá, no diálogo e oração, para a consolidação do vosso amor de família. Lembrai-vos sempre daquilo que hoje viveis! E o melhor modo para o fazerdes é através do diálogo a dois com Deus no meio. Rezai em família, sobretudo, nas horas de felicidade e de maior sonho. E aquilo que hoje vos anima, o amor, seja sempre o critério das vossas escolhas.
Escolhestes a Igreja São Pedro como lugar do vosso matrimonio. Pedro que significa pedra é o teu nome, Pedro é o nome do teu pai, que em 1964 junto de tua mãe Cristina se encontraram diante desde mesmo altar, para fazer a mesma promessa de amor que hoje vocês vêm fazer.
Fernanda e Pedro que o vosso Amor vivido em família seja um eterno namoro, como o do primeiro dia, sempre renovado e fortalecido, feito de encanto e alegria. De certo modo, hoje começa a fase mais importante do vosso namoro. Que os pequenos detalhes se mantenham, que as correspondências se repitam, que os passeios e cinemas continuem, que o fundamento se fortaleça.
Levem Jesus Cristo para o vosso lar! Aproximai-vos da Eucaristia! Renovai em cada dia o amor que hoje aqui celebrais. Fazei do vosso lar casa de oração, doação e felicidade. Amai sempre mais que tudo. Perdoai sempre. Como no vosso namoro dialogai sempre. Celebrai a vida de cada dia como no vosso primeiro e mais belo encontro. Fazei cada dia memória deste dia tão lindo da vossa vida no qual junto de Deus, familiares e amigos vos entregai amorosa e eternamente. Essa será sempre a vossa alegria.
A Fernanda e o Pedro quiseram casar-se em ambiente de Eucaristia, junto dos seus familiares e amigos, escutando a Palavra do Bom Deus. Querem fazer do seu casamento um sacramento, querem torná-lo para o mundo um sinal e um instrumento dessa alegria de Deus, dessa comunhão própria do nosso Deus família: Pai, Filho e Espírito Santo.
Fernanda e Pedro, esta é a certeza e tesouro maior que devereis levar deste maravilhoso dia. Aquele que aqui vos trouxe é o mesmo que hoje se manifesta no vosso amor e no sacramento da Eucaristia, prova máxima do amor de Deus, que envolve graciosamente o vosso matrimonio.
Bem sabeis que não me refiro a um deus distante, justiceiro, amigo de conflitos. Refiro-me Aquele que vos fala no coração. Falo-vos d’Aquele que vos faz acreditar no sonho da família. Sim fala-vos do Deus família, Deus Amor. Aquele Deus que vos uniu já no vosso namoro, aquele Deus a quem rezaste na vossa intimidade para o vosso encontro acontecer.
Entre as pessoas que trazeis no santuário dos vossos corações alguém tenho que destacar: os vossos pais, aqueles que mais vos amam. Fernanda, a tua mãe Mirna e do teu Pai Cléo; Pedro, a tua mãe Cristina e o teu pai Pedro o qual deixou muita saudade. Fernanda e Pedro recebestes e continuareis a receber o testemunho do Amor dos vossos pais. No amor quotidiano da mãe, no silêncio de tantos gestos do pai, na doação de tantos momentos dos dois,... experimentastes e conhecestes o amor. Sei como Eles são importantes nas vossas vidas e da gratidão que lhes tendes. Ao amor que dEles recebestes, respondei-lhes com amor e felicidade do vosso lar!
A Escritura fala-nos de dois tipos de casa. Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. (Mt 7, 24.26). Ela não pode ser mais clara. O Amor é o fundamento. O nosso Deus é Amor. Ele é o fundamento. Haja o que houver nele tudo terá sustento e sentido, e nele, a vossa casa será sempre mais feliz. A casa fundada no Bom Deus está de tal modo segura de si que apesar das contrariedades, dificuldades, injustiças... É mais forte que tudo isso. Aquela que se edificada noutros alicerces sujeita às intempéries acaba por cair. Sabeis bem que sobre a areia nenhuma casa se sustém. Sabeis bem que a areia pode cegar. Nunca vos deixei levar pela desconfiança, pelo amor próprio, pela indiferença, pelo comodismo. Quando aparecerem grãos de areia transforme-os em rocha!
Pedro, o teu nome define o homem como pedra firme. Sei da grandeza do teu espírito e da coerência das tuas opções. Que a memória do teu nome te empenhe sempre a construir com a Fernanda a vossa casa fundada no Amor de Deus e sereis sempre e mais felizes.
Fernanda, o teu nome significa ousada, Deus é assim de repente, surpreendente. Sei do sentido que dás à vida e do empenho que nela colocas. Recorda-te sempre que do mesmo modo que um dia terás um filho em teu ventre, assim Deus vos tem. Constrói com o Pedro a vossa casa fundada no Amor de Deus e sereis sempre e mais felizes.
Nem tudo será simples ou fácil! Viver em família significa doação para acolher, serviço para festejar, renúncia para valorizar. Sempre em nome do amor, sempre para que haja mais amor e alegria. Certamente virão as dificuldades. Algumas já conhecem, outras vos surgirão. Nem sempre as vontades vão coincidir. Educar os filhos nem sempre será fácil. O cansaço e as tensões surgirão. Não tenhais medo! Fiel no amor, tudo isso vos servirá, no diálogo e oração, para a consolidação do vosso amor de família. Lembrai-vos sempre daquilo que hoje viveis! E o melhor modo para o fazerdes é através do diálogo a dois com Deus no meio. Rezai em família, sobretudo, nas horas de felicidade e de maior sonho. E aquilo que hoje vos anima, o amor, seja sempre o critério das vossas escolhas.
Escolhestes a Igreja São Pedro como lugar do vosso matrimonio. Pedro que significa pedra é o teu nome, Pedro é o nome do teu pai, que em 1964 junto de tua mãe Cristina se encontraram diante desde mesmo altar, para fazer a mesma promessa de amor que hoje vocês vêm fazer.
Fernanda e Pedro que o vosso Amor vivido em família seja um eterno namoro, como o do primeiro dia, sempre renovado e fortalecido, feito de encanto e alegria. De certo modo, hoje começa a fase mais importante do vosso namoro. Que os pequenos detalhes se mantenham, que as correspondências se repitam, que os passeios e cinemas continuem, que o fundamento se fortaleça.
Levem Jesus Cristo para o vosso lar! Aproximai-vos da Eucaristia! Renovai em cada dia o amor que hoje aqui celebrais. Fazei do vosso lar casa de oração, doação e felicidade. Amai sempre mais que tudo. Perdoai sempre. Como no vosso namoro dialogai sempre. Celebrai a vida de cada dia como no vosso primeiro e mais belo encontro. Fazei cada dia memória deste dia tão lindo da vossa vida no qual junto de Deus, familiares e amigos vos entregai amorosa e eternamente. Essa será sempre a vossa alegria.
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