quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

VISITAÇÃO

 

Queridos irmãos, esse breve relato do evangelho nos descreve a cena conhecida como “visitação” de Maria à sua prima Isabel. Esse texto é inspiração para a pastoral das capelinhas. Seria maravilhoso se essa linda pastoral voltasse a funcionar em nossa paroquia em 2023.  

Nessa visita me chama muito a atenção as palavras com que Isabel, que cheia do Espírito Santo, saúda a Maria: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto de teu ventre!”, palavras que milhões de cristãos repetem, milhões de vezes, em todas as línguas do mundo, para saudar diariamente a mãe de nosso Senhor.

 Bendita porque soube acolher a Palavra de Deus, bendita porque se pôs inteiramente à disposição de Deus, bendita porque o Senhor cumpre as suas promessas.

Isabel é consciente da desproporção da visita: “Quem sou eu para que a mãe de meu Senhor me visite?”, pergunta com a mesma humildade com que seu filho, João Batista, dirá mais tarde: não sou digno nem de desatar as sandálias dos seus pés.

E Isabel proclama Maria ditosa, bem-aventurada, bem-amada a Maria porque nela se cumprirá o que lhe disse o Senhor por meio do anjo. Mesmo que a leitura de hoje se interrompa neste ponto, sabemos que Maria, em resposta às palavras de Isabel, proclama um cântico de ação de graças, o “Magnificat” que já sabemos de memória.

A cada Ave Maria, em que repetimos as palavras de Isabel, bendizendo e felicitando Maria pelas maravilhas que Deus realizou nela, deveríamos ter nos nós os mesmos sentimentos de Izabel. Mas infelizmente rezamos as nossas orações quase que mecanicamente.

Mas deveríamos, sobretudo, assumir as atitudes destas mulheres que se põem à disposição dos planos de Deus. Levando, com gestos e palavras, o Senhor aos nossos irmãos que sofrem e choram, para que se alegrem como Isabel e louvem ao Deus que os salva e liberta.

Isabel “cheia do Espírito Santo” pronúncia então uma dupla bênção. “Bendita entre as mulheres”; “Bendito é o fruto do teu ventre”. Maria é reconhecida por Isabel como a arca santa onde se abriga o Senhor dos Senhores, manifestando a grandeza de sua condição. Em sua visitante Isabel reconhece a “Mãe do Senhor”, aquela que dará à luz o que deve libertar o seu povo.

O Espírito Santo ajuda Isabel a pronunciar sua louvação: “Bendita és tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” A partir de então, milhões de vezes os cristãos têm repetido esta louvação na Ave Maria. São benditos, bem-aventurados os que acreditam em Deus, os que praticam a Palavra, os que dão frutos.

 “Bendita és tu entre as mulheres”.  Maria é bendita porque acreditou! Esta foi sua grandeza e o fundamento de sua fidelidade: sua fé! Maria se converte em Mestra da fé, aceitando tudo quanto se anunciava da parte de Deus, mesmo que não sabendo explicar como tudo aconteceria. Toda vida de Maria se fundamenta em sua fé.

Outra ponto que me chama a atenção é que, logo após o Anuncio do Arcanjo Gabriel a Virgem Maria se coloca a serviço e parte apressadamente uma região montanhosa da Judeia, onde morava a sua prima Isabel.

Detalhe importante, ela parte “apressadamente”, é essa a palavra. Quem ama tem pressa, quem ama corre ao encontro do necessitado, da necessitada. Maria tinha todo o direito de ficar em resguardar, tinha todo o direito de não fazer tanto esforço, pois afinal estava gravida, iria ser mãe, mas ela se colocou a serviço, não se poupou, ela se doou.

Sou testemunho nos ensina a ter pressa, em fazer o bem, ter em ir ao encontro de que pressa de nós, porque Deus tanto nos ama deseja contar conosco para que mais pessoa recebam o Seu amor

Meus irmãos, Nosso Senhor todos os dias nos dá a chance de viver e testemunhar a nossa fé; alguém precisa de sua ajuda? Tenha pressa em ir ajudar.  Precisa perdoar alguém? Tenha pressa de perdoar.

Maria partiu apressadamente; e Isabel sentiu a presença de Deus ali, quando foi saudada por Maria. Meus irmãos, precisamos também partir apressadamente. Quais são as pessoas que precisam ser visitadas por Nosso Senhor? Que você seja a visita do Senhor para este irmão, para esta irmã, que você seja a presença de Deus.

Tenha pressa de amar, de servir, de perdoar, em outras palavras, não percamos tempos, vamos evangelizar, vamos viver a Palavra de Deus, vamos revelar esse Cristo para que outras pessoas também sintam a presença de Deus através de nós.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

29º Domingo do Tempo Comum - Ano C

 

O breve relato do Evangelho que acabamos de ouvir convida-nos a manter com Deus uma relação estreita, uma comunhão íntima, um diálogo insistente. Deus não está ausente nem fica insensível diante de nossa dor. Deus nos ama e tem um projeto de salvação para cada um de nós, mas só poderemos entender e acolher o esse projeto de Deus em nossas vidas através da oração, de um diálogo contínuo e perseverante com Deus.

A primeira leitura deixa claro que Deus não está alheio as nossa dores e sofrimentos, ele vem em nosso socorro e nos salva; mas, para que possamos ganhar as duras batalhas da vida, precisamos contar com a ajuda e a força de Deus.

Trata-se do confronto entre os hebreus e os amalecitas; enquanto o Povo combatia os inimigos, Moisés, no cimo de um monte, rezava e implorava a ajuda de Deus. O texto Sagrado deixa claro que a vitória se deve, mais à ação de Deus do que aos esforços da batalha. Precisamos invocar o Deus com perseverança e insistência, só assim venceremos as duras batalhas da vida, é preciso ter a ajuda e a força de Deus, essa ajuda e essa força brotam da oração, do diálogo com Deus.

Quem sonha com um mundo melhor e luta por ele, tem de
viver num diálogo contínuo, profundo, com Deus: é nesse diálogo que se percebe o projeto de Deus para o mundo e se recebe d'Ele a força para vencer tudo o que nos oprime e escraviza.

O Evangelho conta a parábola da viúva e o juiz injusto. A viúva, pobre e injustiçada, passava a vida a exigir justiça; mas o juiz, "que não temia Deus nem os homens", não lhe prestava qualquer atenção. No entanto, o juiz - apesar da sua dureza e insensibilidade - acabou por fazer justiça à viúva, a fim de se livrar definitivamente da importunação.

Se um juiz prepotente e insensível é capaz de resolver o problema da viúva por causa da sua insistência, Deus, que é um pai amoroso, não iria escutar os "seus eleitos que por Ele clamam dia e noite?"

É evidente que, se até um juiz insensível acaba por fazer justiça a quem lhe pede com insistência, com muito mais motivo Deus - que é rico em misericórdia estará atento às súplicas dos seus filhos.

Vivemos num mundo cada vez mais hostil ao Evangelho, somos perseguidos e ridicularizados por seguirmos à Jesus Cristo, não podemos desanimar, pois Deus não abandona o seu Povo, nem é insensível aos seus apelos; e no tempo próprio virá em nosso socorro.

A nós cabe confiar em Deus e pela oração não nos deixar contaminar pelo mal que nos rodeia.

Mas atenção, tem um detalhe muito importante nesta parábola, oração por mais insistente que seja não irá obrigará o Senhor Deus a fazer nossa vontade.

Deus terá as suas razões para não atender àquilo que Lhe pedimos: às vezes pedimos a Deus coisas que nos compete; outras vezes, pedimos coisas que nos parecem boas, mas que de fato não são; outras vezes, ainda, pedimos coisas que são boas para nós, mas que implicam sofrimento e injustiça para os outros. É preciso termos consciência disto e nos perguntar, à luz da lógica da fé qual é a vontade de Deus.

"É preciso rezar sempre sem desanimar". Jesus tomou o exemplo da viúva que pede a justiça, para ilustrar o seu convite a uma oração perseverante.

Jesus não promete: "Se vós insistis sem cessar na oração, então, Deus acabará por ceder e atenderá o vosso pedido".

Não mesmo! O que Jesus diz é: "E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa".

A palavra-chave é que "Deus faz-nos justiça". A justiça consiste em dar a cada um o que lhe é devido, a reconhecer os deveres e os direitos de cada um.

Deus é um junto juiz, e a sua justiça muito superior à nossa.

 

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

quem se humilha será exaltado

 

Neste final de semana em que comemoramos o dia do catequista, é bom lembrar que a maior parte da vida pública de Nosso Senhor, foi dedicada a missão de catequizar.  Jesus não cansava de ensinar a Palavra de Deus, e repetir quantas vezes fosse preciso, respondia perguntas, contava parábolas, falando de maneira simples através de exemplos do cotidiano.

Obrigado catequista, por continuar essa nobre missão de Nosso Senhor, de conduzindo os pequeninos no caminho da salvação. DEUS TA VENDO!

Evangelização é em primeiro lugar testemunho e depois pregação, o cristão precisa primeiro se esforçar para viver o evangelho para depois anuncia-lo. Quem prega o que não vive, está cometendo o pecado da HIPOCRISIA.

Devemos catequisar através do nosso exemplo de vida, pois o nosso testemunho fala mais alto do que as nossas palavras. Por Exemplo:  eu acho errado beber bebidas alcoólicas e fumar, ninguém vai ver-me falando contra quem bebe ou fuma, mas eu garanto que nunca alguém vai me ver bebendo, ou fumando.

Imaginem uma nutricionista obesa, ou um dentista desdentado. São no mínimo Ridículos, a mesma coisa, aquele que não se esforça para viver o Evangelho, não tem autoridade para ensiná-lo aos demais. Pois ninguém botará fé no que ele diz.

Antes de tirar o cisco do olho do irmão tire a trave do seu olho, ou seja, antes de julgar o irmão, corrija-se a si mesmo.

Corremos o risco de humilhar o nosso próximo, revelando os seus defeitos, sob a desculpa de que estamos “só querendo ajudar. ”

O Senhor Jesus, ainda nos diz, árvore boa dos frutos bons, arvore má dos frutos maus...  Assim como toda a árvore é conhecida por seus frutos, pelas obras podemos distinguir os cristãos autênticos dos que desejam apenas se aproveitar das pessoas.

Vejam, não são pelas palavras que conhecemos uma pessoa, mas pelo bem que ela faz, ou deixa de fazer, pelas obras a que essa pessoa se dedica.

Com diz o ditado falar bonito até papagaio fala. A pessoa reta e justa produz frutos de santidade para o próximo e para si próprio.

Uma pessoa pode esquecer o que você disse para ela na hora da dor e da dificuldade, mas ela não vai esquecer que você esteve lá ao seu lado, não vai esquecer que você lhe estendeu a mão, ou lhe enxugou uma lagrima.

Queridos irmãos, quem sabe vamos falar menos e fazer mais gestos de amor ao próximo. Essa é a linguagem do coração, que é compreendida por todos e toca até os corações mais duros.

Nós católicos nascemos para buscar as coisas do Alto.

Feliz do marido que se casou com uma mulher que aponta para ele onde o Senhor está. Felizes os filhos, cujos pais também lhes apontam o Senhor. Muitas vezes, os pais têm dificuldades de apontar Deus para seus filhos, pois acabam trocando o Senhor por outras coisas.

A Família de Nazaré nos dá uma lição de vida familiar: sua comunhão de amor, sua beleza austera e simples, seu caráter sagrado, sua lição de trabalho em família, entre outras.

O Evangelho de hoje nos fala da humildade, percebemos como o orgulho é o maior obstáculo à fé, pois o orgulho é autossuficiente, é certo que a humildade torna a nossa fé mais poderosa, uma vez que o humilde sabe que sem Deus nada pode.

O mesmo se diga da esperança: o orgulhoso confia em si mesmo e presume demasiado das próprias forças; quase nem pensa em implorar o auxílio divino. O humilde, pelo contrário, põe toda a confiança em Deus, porque desconfia de si mesmo.

A esperança por sua vez, torna-nos mais humildes, porque nos mostra que os bens celestiais estão de tal modo acima de nossas forças que, sem a força do alto não poderíamos alcança-los.

A caridade tem por inimiga o egoísmo; e floresce nas mais humildades, visto que são as mãos mais pobres que mais se abrem para partilhar.

Percebemos em nossa sociedade pessoas correndo atrás dos primeiros lugares, escolhendo o trabalho que dê mais lucro, procurando lugares que deem destaque, status e importância. E isso cria um clima de rivalidade, de ódio e conflitos; trazendo sérios estragos para as pessoas, além de sérios estragos na família, no ambiente de trabalho, na sociedade e também nas igrejas. É daí que nascem os egoístas, interesseiros e corruptos, endividando as pessoas e tirando-lhes a paz.

Jesus nos diz: “Quem se exalta será humilhado e aquele que se humilhar será exaltado; Quando deres uma refeição, não convide os que poderão te retribuir; pelo contrário, convida os pobres. Terás uma recompensa na ressurreição dos justos”.

Jesus não rejeita o amor familiar, nem as relações amistosas. O que não aceita é que elas sejam exclusivas, sem espaço para os que são de fora desse círculo, Jesus não aceita são as panelinhas, que só entram os ricos, e onde os menos favorecidos são barrados.

Os cristãos precisam construir um mundo mais humano e fraterno, rompendo as panelinhas baseadas apenas nas convenções sociais.

Estamos tão afastados de Jesus se nossas relações de amizade e até familiares são ditadas por interesses e conveniências.

O caminho da gratuidade é difícil, pois, é necessário aprender a dar sem esperar muito, perdoar sem exigir, ser paciente com as pessoas desagradáveis, ajudar pensando apenas no bem do outro.

O dinheiro nos faz ricos.

O conhecimento nos faz sábias.

A humildade nos faz grandes.

A gratuidades nos faz inesquecíveis.

O Livro do Eclesiástico nos ensina que viver com sabedoria, é confiar em Deus na humildade de coração. Pois a humildade é força espiritual para conquistar o afeto, o amor das pessoas, e as mais poderosas graças de Deus.

Deus se revela aos simples e pequeninos e se oculta aos orgulhosos.

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