quarta-feira, 19 de maio de 2010

Boa ideia, mãe

Ele era muito distraído. Um cabeça-no-ar. Péssimo para fazer recados. Mas, mesmo assim, a mãe dele insistia:
– Ó Pedro, vai ali, se fazes favor, à mercearia do senhor Cosme e traz-me dois quilos de batatas.
O Pedro ia e voltava a correr com uma batata na mão.
– Então as outras? – perguntava a mãe.
– Já vou buscar, mãe – dizia o Pedro.
Nova corrida e nova batata. Trazia-as uma a uma...
– Ó filho, que trabalheira! Metia-las todas num saco e trazias, de uma só vez.
– Boa ideia, mãe. Para a próxima já sei.
O recado seguinte tinha a ver com o porco, que tinha ficado em observação no veterinário, por causa de umas vacinas, e que a mãe não tivera ainda tempo de ir buscar. Mandou o filho.
Quando o rapaz regressou sem o bicho, a mãe admirou-se.
– Fui metê-lo num saco e ele não quis – explicou o Pedro.
– Ó filho, trazia-lo para casa com um cordelinho amarrado pelo pé e tocáva-lo para diante com uma varinha.
– Boa ideia, mãe. Para a próxima já sei.
Pouco depois, a mãe mandou-o à feira para comprar um cântaro. Quando o Pedro chegou a casa trazia só a asa do cântaro, presa a um cordel. E ele, muito contente:
– Fiz como a mãe disse.
O que valia ao Pedro cabeça-no-ar é que a mãe tinha muita paciência. Ai dele se não tivesse!

SERVIR A DEUS

Um sapateiro veio ao Padre João e disse: “- Diga-me o que devo fazer na minha oração matinal. Meus fregueses são homens pobres que só têm um par de sapatos. Apanho seus sapatos no fim da tarde e trabalho neles a maior parte da noite; de madrugada ainda há trabalho a ser feito, para os homens terem os sapatos consertados antes de irem trabalhar. Agora minha pergunta é: o que devo fazer na minha oração da manhã?”
“-O que tem feito até agora?” Perguntou o Padre. “-Às vezes, faço a oração rapidamente e volto ao trabalho, mas aí me sinto mal por causa da pressa. Outras vezes, deixo passar a hora da oração. Então, também tenho uma sensação de perda e, de vez em quando, ao levantar a sola dos sapatos, quase posso ouvir meu coração suspirar: “-Que azarado sou, pois não consigo fazer minha oração da manhã”. Respondeu o Padre: “-Se eu fosse Deus, valorizaria mais esse suspiro do que a oração.”
Deus, infinitamente sábio, não podia deixar de me propor um fim ao criar-me. Esse fim está definido nas seguintes palavras de Santo Inácio: “Para louvar, reverenciar e servir a Deus Nosso Senhor”.
Louvar é reconhecer as prerrogativas do semelhante. O reconhecimento de Deus se faz pela adoração, confirmando que Ele é o ser supremo, a bondade infinita, a origem primária de todos os bens.
Reverenciar a Deus é por em prática o reconhecimento dele ser nosso supremo Senhor. Essa reverência nos obriga a andar sempre em Sua presença, a dar-Lhe as devidas graças por sua paternal providência e a entregar-nos incondicionalmente à sua vontade.
Servir a Deus é submeter praticamente nossa vontade à vontade divina e executar fielmente o que nos for mandado. A vontade divina é-nos manifestada pela lei natural, pela lei positiva do Decálogo, pelos deveres de nosso estado, pelas disposições da divina Providência nas várias circunstâncias da vida.
Sobre estes três modos de servir a Deus, devemos observar que o primeiro – louvar – é facílimo; o segundo – reverenciar – também não oferece grande dificuldade. O servir é o mais difícil. Servir a Deus seja gloriosíssimo e o entendimento sabe o que Deus quer e procuramos sempre fazer a vontade Divina.
Ao perguntarem a Machado de Assis: “-Como posso ser um grande escritor?” ele respondeu: “-Escreva, escreva, escreva.”
Faça a vontade de Deus, servindo, servindo, servindo.

FUMO E ÁLCOOL - DROGAS LÍCITAS

Leio no noticiário do jornal a notícia: “Álcool em uma tragédia em Canguçu”. Notícia triste, mas que não me espanta, pois a presença do álcool no sangue de causadores de acidentes fatais é quase uma rotina, de tão constante. São mais de 1.000 brasileiros que morrem, por ano, vítimas de acidentes causados por consumo abusivo de álcool. E tem mais: cerca de 10% de todos os acidentes com vítimas não fatais também resultam de dirigir com excesso de álcool no sangue. Isso porque a bebida alcoólica dá uma falsa sensação de segurança, causa euforia, diminui o controle muscular e a coordenação, prejudica a habilidade de avaliar velocidades e distâncias, reduz a acuidade visual e a capacidade de lidar com o inesperado. Mas não é só nas ruas e estradas que isso acontece. Quarenta por cento dos acidentes nas empresas estão ligados ao uso de drogas, com predominância do álcool, que é a terceira causa de absenteísmo (falta ao trabalho) e compromete quase 5% do PIB. Olha só: no Brasil, 16 milhões de pessoas são dependentes do álcool, que é porta de entrada para o consumo de outras drogas. Não podemos ficar quietos diante desse quadro trágico. Vou entrar de peito aberto nessa luta. Do mesmo modo como fiz para aprovar a Lei Complementar nº 555, de 13 de julho de 2006, que proíbe o uso de fumo em ambientes fechados de uso coletivo e ficou conhecida como Lei Anti-Fumo. Batalhei muito para que essa Lei fosse aprovada, resistindo a todo tipo de pressão contrária, possível e imaginável. Ocorre que ela nasceu como fruto da minha convicção dos males que o fumo comprovadamente causa, como atestam os dados da Organização Mundial da Saúde. E o assunto não comporta mais discussão. Por isso, inicio uma nova cruzada, desta vez contra o consumo imoderado do álcool. A coisa é bem mais complicada do que com o fumo, cuja defesa é feita apenas por usuários dependentes e por fabricantes de cigarros. No caso do álcool, a defesa do consumo vem de outras frentes, além dos dependentes e dos fabricantes. Ela vem inclusive de profissionais da saúde, que atestam que o consumo moderado pode ser benéfico à saúde. A diferença é marcante: enquanto o cigarro SEMPRE faz mal, o álcool ÀS VEZES é saudável. E isso dificulta bastante o combate à imoderação. Afinal, no mundo inteiro são enaltecidas as qualidades de um bom vinho, champanha, conhaque, cerveja ou uísque, para citar apenas as bebidas mais consagradas. E a propaganda desses produtos rola solta pela mídia, inclusive atribuindo-lhes virtudes imaginárias, capazes de atrair e convencer mentes despreparadas, desejosas de uma euforia que suas rotinas de vida não lhes permite alcançar. O resultado: jovens, mulheres e crianças, inclusive, bebendo cada vez mais, embriagando-se até níveis críticos e tornando-se dependentes do álcool. Aceito sugestões de como levar avante uma campanha contrária ao consumo abusivo do álcool.
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