terça-feira, 6 de julho de 2010

VIVENDO DENTRO DE DEUS

A boneca de sal vagueou pela terra até chegar ao mar, onde ficou absorta a contemplar aquela massa imensa de água inquieta que ela nunca vira.

“Quem é você?” pergunta, então, ao mar. “Pois entre e veja”, diz o mar sorrindo.

Dito e feito, ela entrou dentro do mar e quanto mais entrava, mais se dissolvia até que só restasse um pouco do seu corpo. Antes de derreter-se totalmente exclamou a Boneca admirada: “Assim também nossos olhos e ouvidos, nos pomos dentro da presença de Deus.

Vamos observar como nossos olhos e ouvidos mandam mensagens à nossa mente-cérebro. Nenhum outro órgão é igual aos olhos; que são capazes de enviar ao cérebro 1,5 milhões de mensagens, simultaneamente. 80% de todo nosso conhecimento é captado pelos olhos. Nossa retina contém 147 milhões de células receptoras; 140 milhões de bastonetes para captar imagens em preto e branco e 7 milhões de cones para imagens coloridas. A luz de um vaga-lume vai ao cérebro na velocidade de 350 km/hora. Pode parecer que vemos com nossos olhos, mas a percepção visual é feita no cérebro, no lobo occipital. Os olhos se movem 100 mil vezes por dia, o que corresponde aos pés andarem 70 km .

Tendo visto o que é visão, vamos ver agora o que é ouvir!

Nenhum outro lugar em nosso corpo é tão pequeno como nosso ouvido, pois contem muitas coisas. Os circuitos elétricos do ouvido são tão definidos que podem ser igualados ao sistema telefônico de uma cidade. O tímpano do nosso ouvido é tão fino que quando uma onda de ar bate move um bilhão de partes de um centímetro; ocorrendo um processo de informações que formam uma palavra. No ouvido interno, temos a cóclea, um osso mais duro; além de estar cheio de líquido garante o balanço e o equilíbrio à nossa vida. O ouvido é apenas um instrumento, nós ouvimos com a mente-cérebro. Cigarros, álcool, café e outras drogas danificam as artérias na parte interna de nossos ouvidos, causando sérias doenças; desde um contínuo zumbido até a surdez.

Deus cria continuamente o universo em que vivemos; nós estamos sempre renovando este mundo de que somos uma parte. Usando corretamente tudo que pertence a este mundo e, trabalhando como co-criadores, servimos em felicidade e sobriedade.

Agredindo nosso organismo e nosso cérebro com álcool e outras drogas, perdemos nossa habilidade de encontrar nosso bem-estar e também o dos outros.

Nosso universo está nas mãos de um Deus misericordioso e cheio de amor. Como co-criadores devemos viver amavelmente com alegria, sobriedade e socialização. É o que traz harmonia entre os seres humanos e com a Divina Majestade.

INDIFERENÇA

Um casal voltava dos funerais de Tio Jorge, que vivera com eles durante vinte anos e fora tão inconveniente que quase conseguiu arruinar o casamento deles.

“-Há algo que tenho de lhe dizer, querida.” Disse o homem. “ –Se não fosse meu amor por você, eu não teria aguentado seu Tio Jorge um só dia.”

“-Meu Tio Jorge? Ela exclamou horrorizada. “-Eu pensava que ele era seu Tio Jorge!”

Entre as criaturas que nos cercam, há umas pelas quais sentimos afeição e que nos apartam do fim último, por exemplo quebrar os dez mandamentos. Há outras pelas quais sentimos aversão e que nos conduzem ao fim último, como aceitar com alegria a cruz. E há outras das quais não temos certeza se nos conduzem ou não ao fim último, como a glória, o dinheiro e a fama.

Indiferença, etimologicamente, significa falta de diferença no uso das criaturas que, por si mesmas, podem conduzir ou não ao fim. Chama-se também desapego. Se nos perguntassem o que mais convém à nossa salvação, saúde ou enfermidade, honra ou desonra, riqueza ou pobreza, se quiséssemos dar uma resposta sensata, diríamos:“-Não sei, Deus sabe.” Se, portanto, as criaturas são indiferentes, a disposição de nosso espírito com relação a elas tem que ser também de desapego, como o médico e o pintor, que se mostram indiferentes com respeito ao uso dos medicamentos e das cores que não tem relação direta com o fim desejado da pintura ou da saúde.

Podemos distinguir duas espécies de desapego: indiferença da vontade e indiferença da sensibilidade. A primeira é a disposição da vontade de não se inclinar ao uso das criaturas senão na medida em que conduzem a nossa alegria e salvação. A indiferença à sensibilidade é a expulsão de todo afeto sensível contrária à vontade Divina.

O desapego é a pedra angular da espiritualidade. Sem esta base, é como ter uma construção que não tem um alicerce. A indiferença e o desapego são os princípios e fundamentos de toda a espiritualidade.

Um suplicante perguntou ao Padre João se a Bíblia era um bom livro para se ler. Ele respondeu: “-É melhor perguntar a si mesmo se está em posição de beneficiar-se com a leitura dela.”

Só porque, assoprando no termômetro, fê-lo indicar uma temperatura mais alta, você não aqueceu a sala.

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