Conheço uma publicação que fala de três (3) coroas: a de ouro, a de prata e a de espinhos.
Os reis/rainhas que usam a coroa de ouro, morrem e enquanto eles apodrecem em seus túmulos, sua coroa fica aqui e não terá mais poder algum;
Os/as que usam a coroa de prata, igualmente morrem, seu corpo se decompõem consumidos pelos vermes e a coroa fica aqui e também servirá, sem poder, apenas para ser colocada em museu.
Mas a coroa de espinhos, depois de dois mil (2.000) anos e que foi usada por Jesus que também morreu, mas cujo corpo não se decompôs, mas ressuscitou, permanece com poder salvador porque o vermelho do sangue que nela está, continua sendo o sangue salvador do Rei humilde e servidor, Jesus de Nazaré.
Esta coroa de espinhos fala muito alto para ensinar toda a humanidade, sobre o despojamento, sobre a transitoriedade de todas as outras "coroas", de todas as outras ostentações, luxos que viram luxúria, de quem deveria ser servo, mas que se apresentam como Príncipes Sagrados.
No domingo de Ramos e ontem, meu e-mail, Facebook, WhatsApp lotaram triunfalmente de imagens de Padres, a maior parte relativamente jovens, mas não somente jovens, como também, para piorar a situação, de alguns já de cabelos grisalhos e que viveram e foram formados em pleno Concilio Vaticano II, puxando as procissões com os Ramos Bentos, com tamanho luxo que com certeza foi, NO MÍNIMO, uma ofensa a Jesus que aceitou ser despojado de suas vestes e aceitou que fosse corado como o Rei da Coroa de Espinhos.
O que vi, e, como disse o Cardeal Dom Cláudio Hummes e outros bispos e arcebispos, são ministros de uma Igreja do "Pano". Sim! porque o que vi eram Ministros Sagrados paramentados com tanta roupa e por fim a capa vermelho,, barretes e outras coisas mais, sendo ladeados por pseudo acólitos leigos também trajados com batina preta e sobrepeliz que segundo as normas litúrgicas são vestes apenas para clérigos, segurando em aberto as majestosas capas de quem presidia, formando um verdadeiro cortejo triunfal de Príncipes Sagrados e sem aparência alguma de quem é servidor do povo para o qual foram consagrados.
Em uma avaliação superficial, imagino que somente naquelas roupas majestosas e de extremo luxo, deveria estar um valor aproximado de dez(10) a quinze (15) mil reais.
Não que eu seja contra as vestes prescritas para a Sagrada Liturgia, mas sou plenamente, até porque sou bispo da Igreja e também procuro me vestir de forma não ostensiva, mas modesta, conforme permitido ou orientado também pela liturgia da Igreja.
eu também, com toda a nossa Equipe de liturgia, nos vestimos com dignidade própria do que o Domingo de Ramos e sua liturgia merecem.
Beleza nunca foi sinônimo de ostentação e de luxo, e simplicidade nunca foi sinônimo de relaxamento ou descaso.
De pouco adianta termos um Papa Francisco que recomenda vendermos os carros de luxo, morarmos em casas simples e vivermos despojados, frugais e simples, quando alguns de nossos Ministros, continuam com mentalidade de Príncipes da Igreja ao invés de Servos do Senhor.
A Idade Média e sua riqueza, seu brilho, sua nobreza como sinônimo de ostentação, graças a Deus já passou, mas há os que insistem em querer recuperar o que o Evangelho e o Concílio, orientaram de forma diferente.
Repito, para não ser mal interpretado que sou plenamente a favor de tudo o que a Igreja nos orienta, porque em tudo ela nos pede despojamento. Então sou sempre a favor que nos vistamos de forma digna, com vestes litúrgicas belas, mas jamais luxuosa. Usar ou não usar casula, capa, sobrepeliz, nunca foi e nem é meu problema. Meu problema é quando isso é feito em roupas que ferem e ofendem a pobreza evangélica. O que a Igreja nos prescreve é correto, mas o que o "mercado religioso" das lojas de artigos religiosos nos oferece, em alguns casos, chega mesmo a ser pecaminoso.
Perguntei certo dia durante uma Assembleia Geral da CNBB, às lojas de artigos religiosos que lá expõem, porque tanto luxo, e recebi como resposta, "porque é isso que muitos procuram" e nós funcionamos segundo a lei da "procura e oferta". Se ninguém ou poucos procurassem, não venderíamos, e teríamos que mudar o que oferecemos.
Toda a ostentação, fere de morte o evangelho e ofende aquele que é Rei com Coroa de Espinhos.
A mudança da Igreja não acontecerá por decretos papais, mas quando aqui nas bases acolhermos sua orientação paterna.
Que a COROA DE ESPINHOS nos ensine qual a coroa salvadora e que estende seu reinado até o fim dos tempos.
D. Guilherme, bispo de Ipameri, GO
quarta-feira, 12 de abril de 2017
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Quarta feira de cinzas
1. O que é a Quarta-feira de Cinzas?
É o primeiro dia da Quaresma, ou seja, dos 40 dias nos quais a Igreja chama os fiéis a se converterem e a se prepararem verdadeiramente para viver os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo durante a Semana Santa.
A Quarta-feira de Cinzas é uma celebração que está no Missal Romano, o qual explica que no final da Missa, abençoa-se e impõe-se as cinzas obtidas da queima dos ramos usados no Domingo de Ramos do ano anterior.
2. Como nasceu a tradição de impor as cinzas?
A tradição de impor a cinza é da Igreja primitiva. Naquela época, as pessoas colocavam as cinzas na cabeça e se apresentavam ante a comunidade com um “hábito penitencial” para receber o Sacramento da Reconciliação na Quinta-feira Santa.
A Quaresma adquiriu um sentido penitencial para todos os cristãos por volta do ano 400 d.C. e, a partir do século XI, a Igreja de Roma passou a impor as cinzas no início deste tempo.
3. Por que se impõe as cinzas?
A cinza é um símbolo. Sua função está descrita em um importante documento da Igreja, mais precisamente no artigo 125 do Diretório sobre a piedade popular e a liturgia:
“O começo dos quarenta dias de penitência, no Rito romano, caracteriza-se pelo austero símbolo das Cinzas, que caracteriza a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas. Próprio dos antigos ritos nos quais os pecadores convertidos se submetiam à penitência canônica, o gesto de cobrir-se com cinza tem o sentido de reconhecer a própria fragilidade e mortalidade, que precisa ser redimida pela misericórdia de Deus. Este não era um gesto puramente exterior, a Igreja o conservou como sinal da atitude do coração penitente que cada batizado é chamado a assumir no itinerário quaresmal. Deve-se ajudar os fiéis, que vão receber as Cinzas, para que aprendam o significado interior que este gesto tem, que abre a cada pessoa a conversão e ao esforço da renovação pascal”.
4. O que simbolizam e o que recordam as cinzas?
A palavra cinza, que provém do latim “cinis”, representa o produto da combustão de algo pelo fogo. Esta adotou desde muito cedo um sentido simbólico de morte, expiração, mas também de humildade e penitência.
A cinza, como sinal de humildade, recorda ao cristão a sua origem e o seu fim: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra” (Gn 2,7); “até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3,19).
5. Onde podemos conseguir as cinzas?
Para a cerimônia devem ser queimados os restos dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Estes recebem água benta e logo são aromatizados com incenso.
6. Como se impõe as cinzas?
Este ato acontece durante a Missa, depois da homilia e está permitido que os leigos ajudem o sacerdote. As cinzas são impostas na fronte, em forma de cruz, enquanto o ministro pronuncia as palavras Bíblicas: “Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás” ou “Convertei-vos e crede no Evangelho”.
7. O que devem fazer quando não há sacerdote?
Quando não há sacerdote, a imposição das cinzas pode ser realizada sem Missa, de forma extraordinária. Entretanto, é recomendável que antes do ato participem da liturgia da palavra.
É importante recordar que a bênção das cinzas, como todo sacramental, somente pode ser feita por um sacerdote ou um diácono.
8. Quem pode receber as cinzas?
Qualquer pessoa pode receber este sacramental, inclusive os não católicos. Como explica o Catecismo (1670 ss.), “sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos; mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem para cooperar com ela”.
9. A imposição das cinzas é obrigatória?
10. Quanto tempo é necessário permanecer com a cinza na fronte?
Quanto tempo a pessoa quiser. Não existe um tempo determinado.
11. O jejum e a abstinência são necessários?
O jejum e a abstinência são obrigatórios durante a Quarta-feira de Cinzas, como também na Sexta-feira Santa, para as pessoas maiores de 18 e menores de 60 anos. Fora desses limites, é opcional. Nesse dia, os fiéis podem ter uma refeição “principal” uma vez durante o dia.
A abstinência de comer carne é obrigatória a partir dos 14 anos. Todas as sextas-feiras da Quaresma também são de abstinência obrigatória. As sextas-feiras do ano também são dias de abstinência. O gesto, dependendo da determinação da Conferência Episcopal de cada país, pode ser substituído por outro tipo de mortificação ou oferecimento como a oração do terço.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
AS CINCO DIMENSÕES DA RECUPERAÇÃO
“A RECUPERAÇÃO DE TRANSTORNOS POR USO DE SUBSTÂNCIAS PSICO-ATIVAS É UM PROCESSO DE MUDANÇA ATRAVÉS DO QUAL OS INDIVÍDUOS MELHORAM A SUA SAÚDE, BEM-ESTAR, AUTOESTIMA E GERENCIAM SUA VIDA PARA ALCANÇAR O SEU POTENCIAL COMPLETO.”
Para conseguir uma Recuperação diária e duradoura os adictos que se recuperam de transtornos causados pelo uso de substância psicoativa precisam ter apoio em quatro áreas de suas vidas:
SAÚDE: administrar a doença, lidando coerentemente com os sintomas, fazendo escolhas saudáveis e assertivas para o bem-estar físico e emocional.
AMBIENTE: um lugar estável e seguro para viver.
MOTIVAÇÃO ou PROPÓSITO: atividades diárias significativas como trabalho, estudo, esportes, voluntariado, cuidados familiares, participação na sociedade civil organizada, frequência em grupos religiosos e grupos de mútuo-ajuda, hobby e apreciar o gosto daquilo que realiza.
COMUNIDADE: relações e redes sociais que ofereçam apoio, amizade, amor e esperança.
AS CINCO DIMENSÕES DA RECUPERAÇÃO!
RECUPERAÇÃO SIGNIFICA ESPERANÇA: a crença de que a recuperação é real fornece a mensagem essencial e motivadora de um futuro melhor, de que as pessoas podem superar os desafios internos e externos, barreiras e obstáculos que enfrentam. A esperança é internalizada e pode ser promovida por pares, famílias, amigos e outros. A esperança é o catalisador do processo de recuperação.
RECUPERAÇÃO É NORTEADA POR PESSOAS: A autodeterminação e a auto direção são os alicerces para a recuperação, uma vez que os indivíduos definem suas próprias metas de vida e projetam seu caminho único em direção a essas metas. Os indivíduos aperfeiçoam sua autonomia e independência na maior medida possível, liderando, controlando e exercitando a escolha sobre os serviços e suportes que os auxiliam na recuperação e na resiliência. Ao fazê-lo, eles estão capacitados e lhe são fornecidos os recursos para tomar decisões, iniciar a recuperação, construir sobre os seus pontos fortes, e ganhar ou recuperar o controle sobre suas vidas.
RECUPERAÇÃO OCORRE POR VÁRIOS CAMINHOS: As pessoas são únicas, com necessidades, pontos fortes, preferências, metas, cultura e origens diferentes, incluindo experiências de trauma que afetam e determinam o caminho para a recuperação. A recuperação é construída sobre as múltiplas capacidades de forças, talentos, habilidades de enfrentamento, recursos e valor inerente a cada indivíduo. As vias de recuperação são altamente personalizadas. Podem incluir tratamento clínico profissional, uso de medicamentos, apoio das famílias, abordagens baseadas na fé, apoio de pares e tantas outras. A recuperação é não linear, caracterizada por crescimento contínuo e funcionamento melhorado que pode envolver recaída ou volta ao uso. Como os retrocessos são uma parte natural, embora não inevitável e não desejável no processo de recuperação, é essencial promover a resiliência para todos os indivíduos e famílias.
Abstinência do uso de álcool, drogas ilícitas e medicamentos não prescritos é o objetivo para aqueles com dependência. O uso do álcool, drogas ilícitas, medicamentos não prescritos ou ilícitos não é seguro para ninguém.
Em muitos casos, os caminhos de recuperação podem ser ativados criando um ambiente protegido, isto é especialmente verdadeiro para aqueles que não têm a capacidade para definir seu próprio curso.
RECUPERAÇÃO É HOLÍSTICA: a recuperação engloba toda a vida de um indivíduo, busca um entendimento integral da doença e do fenômeno da droga, incluindo mente, corpo, espírito e comunidade. Isto inclui abordar práticas de autocuidado, família, autoestima, trabalho, estudo, tratamento clínico para transtornos mentais e transtornos de uso de substâncias, serviços de apoio, cuidados de saúde primária, assistência odontológica, serviços complementares e alternativos, fé, espiritualidade, redes sociais e participação comunitária. A gama de serviços e apoios disponíveis deve ser integrada e coordenada.
RECUPERAÇÃO É ALICERÇADA NO RESPEITO E HONESTIDADE: a aceitação e valorização da comunidade e da sociedade do entendimento de pessoas que sofrem pelo uso de drogas e são afetadas por elas NÃO DEVE E NÃO PODE SER ESTIGMATIZADA, eliminando a discriminação e a exclusão social e/ou familiar. Isto é crucial na recuperação do dependente e sua reinserção à sociedade. Há uma necessidade de reconhecer que ao se tomar as medidas e ter a motivação para o tratamento e a manutenção da recuperação sempre exige uma grande coragem e força interior.
A auto aceitação e a descoberta de uma vida nova, quando da mudança de comportamento, desenvolvem um sentido positivo para a restauração da crença em si mesmo, e de que a VIDA pode ser maravilhosa na simplicidade e que o raiar de cada dia é importante para a construção de um indivíduo melhor.
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