sábado, 10 de julho de 2010

ESPERAR É DIFÍCIL


“Dona Isa, olha essa perna como ta inchada! Vai para casa dona Isa, já lhe disse tantas vezes, que não precisa esperar aqui, chegando à tarde recebe o rancho da mesma forma.” Ela foi baixando os olhos lentamente, e com a humildade de quem pede perdão me disse: “Padre, o nosso direito é reclamar, catar e esperar, não pode tirar isso de nós, é nosso direito.” Completamente desarmado, pude apenas dar-lhe um grande abraço, não tinha mais nada a dizer.
Na primeira terça-feira de cada mês, distribuímos 200 ranchos, numa parceria entre a Paróquia e a SMASCI. Embora a entrega só aconteça no turno da tarde, às 7h da manhã já tem quem esteja esperando. Entre estes, dona Isa, uma anciã “brasiguaia”, perna esquerda estraçalhada pela Úlcera Varicosa, 1,50 m de altura e feições guaranis. Porque chegam tão cedo?
Aquela resposta ficou ecoando em mim, um pouco pela intensidade do gesto que a acompanhou, mas sobre tudo pela força da verdade contida em cada palavra. Dona Isa, sintetiza em três palavras, muitas páginas do melhor Profetismo Bíblico. É possível que ela nunca tenha ouvido falar de Agar, Rute, Éster, Raquel, Ana, Judite..., mas bem que podia figurar entre elas. O direto do pobre é reclamar - da opressão, do preconceito, da indiferença, da corrupção; catar – as migalhas, as sobra, o lixo, as sucatas; esperar - que lhe façam justiça, que as promessas se realizem, que seja resgatado, que o Reino de Deus aconteça.
Ter fé é fácil, Deus se manifesta de muitas maneiras em nossa vida. Amar é natural sentimos muita necessidade uns dos outros. Esperar é difícil. Para cada coisa na vida existe uma esperar, por qualquer motivo e às vezes até sem motivo, acredito que ninguém goste de esperar. De fato manter-se constante em meio às tempestades da vida e a demora de Deus é difícil. Manter-se a caminho através da noite escura sem vislumbra os sinais da aurora é heroísmo. Os pobres são que mais exercitam a espera. Diante da fome, miséria e exploração vivem de esperança, pacientemente aguardando o cumprimento da justiça. Contra a cegueira dos ricos a teimosia dos pobres.
Todos têm necessidade de esperança para viver, o drama é que estamos casando de esperar. Antes os pobres não tinham casa, trabalho, alimento, hoje além de tudo isso começa a faltar à esperança. A perca da esperança gera a mais terrível das doenças o mofo da alma, também conhecida como a apatia ou morte do sonho.
Precisamos acordar a esperança. No tempo de João Batista povo estava cansando, a esperança morria a mingua, por todos os lados surgiam revoltas que rapidamente eram sufocadas pelo Império, gerando mais morte e sofrimento. Com João, irrompe de novo e com toda a força a profecia no meio do povo. O reaparecimento da profecia é a emergência do melhor do passado. É o fim de uma longa crise, em que se pensava que o “céu estava fechado” . A pregação de João é carregada de esperança. No deserto de uma província longínqua e insignificante do Império, muitos poderiam teria dito é inútil, quem poderá contra o Império. O Império é invencível. Sem os recursos do poder econômico, da política oportunista, sem conchavos, e sem derramar outro sangue que não fosse o próprio, inicia um movimento de libertação, de todos os lados acorrem multidões para o deserto para ver novamente o melhor que eles podiam ter: um homem que lhes deu significado e motivo para continuar esperando.
Nesse contexto as palavras do profeta Isaias se revestem quase de uma força sacramental: “os que esperam no Senhor renovaram as suas forças, criam asas, como águias, podem andar sem cansar, correr e não se fatigar.” Is 40, 30.
Deus usa os fracos para confundir os fortes. Dona Isa, mulher pobre, guarani, idosa e doente, carrega sobre si o pesado fardo da exclusão, no entanto, tem todo o direto de ficar esperando, e não haverá quem possa lhe negará esse direito.
Só assistiremos a aurora que virá rasgando o novo dia, se em meio à noite escura continuarmos perseguindo o horizonte.

CONSELHO DE PAI


Filho, nunca se esqueça de seus amigos! Serão mais importantes na medida em que você envelhecer. Independentemente do quanto você ame sua família, seus filhos, você sempre
precisará de amigos.

Filho lembre-se de, ocasionalmente, ir a lugares com eles; divirta-se na companhia deles; telefone de vez em quando...

Filho, à medida que os anos passavam, compreendemos que a natureza realizava suas mudanças sobre nossa vida, e os amigos sempre serão baluartes em nossa vida.

O Tempo passa.
A vida acontece.
A distância separa...
As crianças crescem.
Os empregos vão e vêem.
O amor se transforma em afeto.
As pessoas não fazem o que deveriam fazer.
O coração para sem avisar.
Os pais morrem.
Os colegas esquecem os favores.
As carreiras terminam.
Mas os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo nem quantos quilômetros tenham afastado vocês.

Um AMIGO nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por você, intervindo em seu favor e esperando você de braços abertos!

UMA HISTÓRINHA...

Dois irmãos, um solteiro e outro casado, eram agricultores. Colhiam muito trigo e repartiam-no em partes iguais.

Às vezes o casado acordava preocupado: - Tenho mulher e cinco filhos que poderão cuidar de mim quando for idoso. E quem cuidará do meu irmão? Terá portanto de economizar mais e, por isso, deveria ficar com mais de metade do trigo.

Então levantava-se da cama e deitava no celeiro do irmão um saco de trigo. Tudo isto sem o irmão saber.

Também o solteiro por vezes tinha insónias. E nesses momentos dizia para consigo: -Não é justo que o meu irmão leve unicamente metade da colheita. Tem mulher e cinco filhos e precisa muito mais que eu.

Então levantava-se da cama e levava um saco de trigo para o celeiro do seu irmão. E fazia isto muito discretamente, sem o irmão descobrir.
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