sábado, 15 de março de 2014

PAIS DE ADOLECENTES

Se lembrarmos das histórias Infantis, contadas em filmes, como; Rei-Leão , A Pequena Sereia e Nemo podemos perceber o quão é importante a ligação com o filho pois esse é a certeza da preservação e perpetuação da espécie!
 
O Rei- Leão chama os animais de toda a floresta para apresentar seu filhote recém-nascido e o levanta nos braços do alto da montanha!

A Pequena Sereia, já adolescente, não gostava de ser sereia! Apaixonou-se por um humano. Como todo adolescente, desobedece o pai, no caso, Poseidon e dessa forma enfrenta situações difíceis para se tornar uma humana. A saída para um final feliz foi o pai entender seus desejos e aceitar essa nova opção da filha.

O Nemo, um peixinho curioso, que queria conhecer o mar sem a superproteção do pai! Passou momentos difíceis! Mas aprendeu com as dificuldades! Da mesma forma seu pai, que na constante busca pelo filho encontra todos os tipos de peixes que ensinam diferentes formas de lidar com os filhotes! A passagem do filmequando o pai do Nemo encontra um cardume de Tartarugas é fenomenal! O pai de uma das tartaruguinhas dá uma boa lição de como lida com o filhote:
Marlin: "Como saber que ele está pronto?"
Crush: "A gente nunca sabe, sabe. Mas, quando eles sacarem, aí tu saca. Sacou!!"

Acontece que quando esse filho chega à adolescência essa preservação pode ser ameaçada! Isso porque, de forma geral sempre: A adolescência provoca um processo disfuncional na família! O que é isso? O filho que antes era obediente e fazia o que o pai ou a mãe queriam, começa a impor seus próprios pensamentos, que nem sempre são compactuados pelos pais! Esse desencontro de pensamentos entre pais e filhos colabora na disfunção familiar!

Pai pode brigar com a mãe por um ficar do lado desse filho e o outro contra.

O adolescente vive lutas e fugas! Isto é; muitas vezes o adolescente pode bater boca, responder por querer se impor ( lutar ) por seus desejos ou ideias e de forma inversa, não respondendo pode se refugiar em seu quarto e se isolar ( fuga ) eis aqui um momento de muita atenção por parte da família, pois é muito rápido se refugiar nas drogas!

Para um adolescente o secreto tem valor inestimável! Portanto segredos ou situações não reveladas ou ainda adolescentes fechados faz parte do desenvolvimento! O importante é a família respeitar mas estar sempre de observação para ver se esse caminho do secreto que é direito dele não está se desviando para situações onde o adolescente corre risco!

A preguiça, comum nos adolescentes, é uma pausa necessária! Fato explicado pelo próprio crescimento físico.

A ação dos hormônios do crescimento leva-o a dormir mais, a ter cansaço para realizar coisas! Enfim é explicado, mas não justificável !

A adolescência é a fase do pertencer a… algum grupo! Nessa hora é importante os pais acompanharem se eles são de Turmas ou de Gangues! Lógico que nesse último precisa haver intervenção por parte dos progenitores!

Turma é uma forma sadia de grupo.

Gangue é predominância das pulsões agressivo e destrutivas, perversas ou cruéis. Ideal de gangue se organiza em torno da idealização da violência.

No adolescente sempre você encontrará o conflito entre o Prazer e o Dever! Faz parte do crescimento físico, como foi explicado acima, mas faz parte, também, do desenvolvimento educacional, isto é; como a família está apresentando os deveres que a vida apresenta? Esse momento é de suma importância a intervenção da família, começando por pequenas coisas! Como por ex.: a mãe orienta o filho na lição de casa mas não faz por ele, o filho pode lavar uma louça ou arrumar a mesa do almoço!

Contradições é outra característica dessa fase! Uma hora ele gosta de tal atividade outra hora odeia! Uma hora o amigo X é o melhor amigo, outra hora não quer mais saber desse amigo! Todos esses desencontros fazem parte do desenvolvimento dessa criança que está virando adulto.

Paixões, sexualidade e drogas é o ponto mais alto na fase da adolescência! Temos que lembrar que essa fase é o momento do treino para a vida adulta e que a afetividade é um ponto importantíssimo para a saúde mental, física e psíquica do indivíduo! Ir para as drogas nada mais é do que uma busca dessa afetividade desconhecida!

Com o desenvolvimento da tecnologia, o que temos hoje é uma Geração chamada de Zapping, isto é; zapeiam no computador, nas redes de relacionamentos, na televisão com controle remoto. Tudo tem que ser instantâneo, rápido, tempo esse que se opõe à aprendizagem. O que vale é o mundo hipermoderno: tudo tem que ser o mais louco, o mais bonito, o mais magro. O meio termo não tem espaço nesse século XXI. Pela vivência das facilidades somadas às atitudes dos pais de superproteção encontramos essa adolescência prorrogada!

Sempre tivemos pais autoritários com incapacidade de entender ou dialogar com os filhos! Da mesma forma sempre tivemos, pais ausentes que se eximem da responsabilidade de ter tido filhos ou então até pagam qualquer coisa para não ficar com os filhos. Mas encontramos, também, pais democráticos que pela responsabilidade e co-participação na vida do filho andam juntos respeitam a individualidade do filho e se posicionam quando necessário.

Pai de adolescente vira filho novamente! Isto porque nesse momento os pais se identificam com os filhos e projetam as ansiedades e angústias que não foram entendidas quando estes (pais) eram adolescentes!

Os pais têm que lembrar que os filhos crescem e os pais envelhecem! Os filhos serão a perpetuação da sua espécie! Nada como vermos nossos filhos serem adultos sadios, que saibam conduzir a própria vida seja no desenvolvimento de uma nova família, bem como no trabalho, carreira e nas orientações de seus próprios filhos.

A comunicação tem que ser sincera! Enérgica mas afetiva! Eis aqui um paradoxo para muitos pais! Alguns pais acham que ser enérgico é bater! Não é! Enérgico tem haver com a comunicação e o respeito! Os pais têm que ser o exemplo para que sejam respeitado e a comunicação entendida! O casal chamado “Pais” – nesse a comunicação, como a tomada de decisão tem que vir de comum acordo e não o que muitas vezes ocorre um fala uma coisa o outro diz outra.

Os pais precisam trabalhar o senso de realidade em detrimento o senso de ficção. Só a realidade colabora para o crescimento efetivo dos filhos. Isso não significa que não devemos ouvir os sonhos, as fantasias ou ficção dos filhos! Faz parte participar para entendermos como esse filho pensa!

Importante lembrar aos pais que os filhos são diferentes! Cada filho é único! Comparar só atrapalha! Pressa em perdoar também! Mas o investimento tem que ser igual! E aqui quando falamos em investimento tem haver com afeto, interesse, atenção e não dinheiro!

Encontramos famílias que deixam o jovem fazer o que quer! Eles dominam! Isso é tão comum que inverteu-se o controle! Em muitas famílias são os filhos que controlam os pais! E tem pais que ainda acham graça!!!

Outra decorrência desse século Hipermoderno é a tendência do “Ter” ao invés do “Ser” As famílias estão ficando especialistas no crescimento dos filhos, mas não no desenvolvimento desses! Crescimento traz a valorização do ter! Ter uma casa, ter um carro, ter o computador, ter um i-pad, ter viagens, etc! Desenvolvimento tem haver com o respeito de si mesmo e do outro, ter ética, respeitar a natureza, respeitar os animais, respeitar os diferentes!

A MELHOR ATITUDE DA FAMÍLIA PARA QUE ELA COMECE A PROPICIAR DESENVOLVIMENTO (e não só crescimento) PARA SEUS FILHOS!
• RESPEITO: FAÇA O BEM!
• RECONHECIMENTO: VALORIZAR O POSITIVO !
• PARTICIPAÇÃO: SER GENTIL MAS FIRME!
• VALORIZAR A RESPONSABILIDADE
• VALORIZAR A COOPERAÇÃO
• VALORIZAR A COMUNICAÇÃO.

quinta-feira, 13 de março de 2014

A receita do Papa Francisco para fazer o amor durar

"Viver juntos é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante (...) que tem regras que se podem resumir exatamente naquelas três palavras: 'posso?', 'obrigado' e 'desculpe'".

"Viver juntos é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante (...) que tem regras que se podem resumir exatamente naquelas três palavras: 'posso?', 'obrigado' e 'desculpe'".

Hoje em dia existe muito medo de tomar decisões definitivas, como a de casar-se, pois as pessoas consideram impossível manter o amor vivo ao longo dos anos. O Papa Francisco fala deste tema e nos convida a não nos deixarmos vencer pela "cultura do provisório", pois o amor que fundamenta uma família é um amor para sempre.


O que entendemos por "amor"?

Com a sabedoria e a simplicidade que o caracterizam, o Papa Francisco começa com um importante esclarecimento sobre o verdadeiro significado do amor, já que, diante do medo do "para sempre", muitos dizem: "Ficaremos juntos enquanto o amor durar".

Então, ele pergunta: "O que entendemos por 'amor'? Só um sentimento, uma condição psicofísica? Certamente, se é assim, não se pode construir nada sólido. Mas se o amor é uma relação, então é uma realidade que cresce, e também podemos dizer, por exemplo, que se constrói como uma casa. E a casa é construída em companhia do outro, não sozinhos! Não queiram construí-la sobre a areia dos sentimentos, que vão e vêm, mas sim sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus."

"O matrimônio é um trabalho de ourivesaria que se constrói todos os dias ao longo da vida. O marido ajuda a esposa a amadurecer como mulher, e a esposa ajuda o marido a amadurecer como homem. Os dois crescem em humanidade e esta é a principal herança que deixam aos filhos", acrescenta.

Três palavras mágicas para fazer o casamento durar

O Papa esclarece que o "para sempre" não é só questão de duração. "Um casamento não se realiza somente se ele dura, sua qualidade também é importante. Estar juntos e saber amar-se para sempre é o desafio dos esposos."

E fala sobre a convivência matrimonial: "Viver juntos é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante (...) que tem regras que se podem resumir exatamente naquelas três palavras: 'posso?', 'obrigado' e 'desculpe'".

"'Posso?' é o pedido amável de entrar na vida de alguém com respeito e atenção. O verdadeiro amor não se impõe com dureza e agressividade. São Francisco dizia: 'A cortesia é a irmã da caridade, que apaga o ódio e mantém o amor'. E hoje, nas nossas famílias, no nosso mundo amiúde violento e arrogante, faz falta muita cortesia."

"Obrigado': a gratidão é um sentimento importante. Sabemos agradecer? (...) É importante manter viva a consciência de que a outra pessoa é um dom de Deus, e aos dons de Deus diz-se 'obrigado'. Não é uma palavra amável para usar com os estranhos, para ser educados. É preciso saber dizer 'obrigado' para caminhar juntos."

"'Desculpe': na vida cometemos muitos erros, enganamo-nos tantas vezes. Todos. Daí a necessidade de utilizar esta palavra tão simples: 'desculpe'. Em geral, cada um de nós está disposto a acusar o outro para se desculpar. É um instinto que está na origem de tantos desastres. Aprendamos a reconhecer os nossos erros e a pedir desculpa. Também assim cresce uma família cristã."

Finalmente, o Papa acrescenta, com bom humor: "Todos sabemos que não existe uma família perfeita, nem o marido ou a mulher perfeitos. Isso sem falar da sogra perfeita...".

E conclui: "Existimos nós, os pecadores. Jesus, que nos conhece bem, ensina-nos um segredo: que um dia não termine nunca sem pedir perdão, sem que a paz volte à casa. Se aprendemos a pedir perdão e a perdoar aos outros, o matrimônio durará, seguirá em frente."

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Pai estou aqui



"Todo filho é pai da morte de seu pai"

Fabrício Carpinejar
"Feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, 
e triste do filho que aparece somente no enterro 
e não se despede um pouco por dia."


Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai. É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso. 

É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. 

É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar. 

É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe. 

É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios. 

E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.

Todo filho é pai da morte de seu pai. Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta. E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais. Uma das primeiras transformações acontece no banheiro. Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro. A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.

Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes. A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões. Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus. Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente? Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.

E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia. Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos. No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:
— Deixa que eu ajudo.
Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.
Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.
Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.
Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.
Embalou o pai de um lado para o outro.
Aninhou o pai.
Acalmou o pai.
E apenas dizia, sussurrado:
— Estou aqui, estou aqui, pai!
O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

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