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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Co-dependência: a epidemia do século


Olá, amigos em Cristo. Diga "não" às drogas. Você já ouviu essa expressão em algum momento de sua vida, ? Pois agora vamos dizer a você que o "não" não deve ser dado somente às drogas no momento em que ela for oferecida à você. O "não" também tem importância fundamental na convivência com um dependente químico. Explicaremos porquê.

"A co-dependência é a epidemia do século", alertou Débora Brito, voluntária do Grupo de Apoio Betânia, localizado na Restinga, em Porto Alegre, enquanto participava do programa Escolhe Pois a Vida, da Rádio Aliança, no dia 30/08/2010. "Não é uma epidemia, é mais grave, é uma pandemia", acrescentou Sadi Petuco, diretor de ressocialização da Fazenda de Recuperação Pacto, em Viamão. O certo é que a co-dependência contamina aqueles que não sabem usar o "não" na hora certa. "É doído. Às vezes passamos por malvados, mas é necessário", conta Maria Rosária, também voluntária do grupo Betânia, da Restinga. A co-dependência nos afeta e afeta principalmente os familiares dos dependentes químicos. Co-dependente é alguém que acredita ser responsável pela felicidade alheia, mas que pouco cuida da sua. Diz muitos "sim" na intenção de demonstrar seu amor e seu afeto, mas esquece que, evitando o "não", deixa de ajudar na cura da pessoa que ama.

O livro Co-dependência Nunca Mais, da jornalista norte-americana Melody Beattie, explica um pouco das razões que nos levam a evitar o "não". "Não fazemos isso de propósito. Fazemos isso porque aprendemos a comunicarmo-nos desta forma. Em alguma época, talvez em nossa infância ou na família adulta, aprendemos que não devemos conversar sobre problemas, expressar emoções e opiniões. Aprendemos que não se deve dizer exatamente o que se quer e deseja. Era definitivamente errado dizer 'não', e defendermos algo por nós mesmos. Um pai ou cônjuge alcoólico ficará feliz em ensinar essas regras; nós estávamos prontos a aprendê-las e aceitá-las."

Mais do que explicar como aprendemos que não devemos dizer "não", o livro de Beattie nos indica o provável professor. Já ouvimos casos em que pessoas que conviveram com dependentes químicos -- e foram co-dependentes, por consequência -- aprenderam a conviver dizendo "sim" a todo instante e repetem este padrão na vida adulta, com o esposo(a) ou filho drogado.

O "não" bem colocado cria limites. O bebê e a criança precisam de muitos "não" para aprenderem até onde podem ir. "Não pegue o lápis do coleguinha porque este lápis não é seu", deve dizer um pai. A criança aprenderá o seu limite e entenderá as razões que o levam a obedecê-lo. Na vida adulta, nos deparamos com "Não estacione", "Não ultrapasse a faixa", "Não buzine", "Não beba antes de dirigir". Se ignoramos estas regras, somos punidos.

O dependente químico perde essa noção, a noção da transgressão. Para ele, tudo pode em favor da droga. Os seus responsáveis precisam usar o "não" para restabelecer os limites na vida do dependente químico. O "não" do pai ou do(a) esposo(a) é uma forma de disciplina. O "sim", ao contrário, é como dizer "faça tudo de novo".

Mas o "não" precisa ser dito com consciência e sabendo onde se quer chegar. Por isso, antes do "não" é importante que o responsável pelo dependente químico saiba que irá gerar uma crise com o seu "não". (Nunca ouviu falar de Crise? Então clique aqui) E antes de gerar uma Crise, procure um Grupo de Apoio do Amor-Exigente e prepare-se para enfrentar este problema que pode trazer um final muito feliz. (Não sabe onde encontrar Grupos de Apoio? Clique aqui).

E o mais importante, o "não", embora não pareça, é uma forma de amor, de afeto. Você já ouviu as frases "quem ama, cuida" ou "quem ama, educa"? Pois é. Cuidar e amar no campo da dependência química é dizer "não".

Um abraço, Juliano Rigatti e Samanta Lançanova.

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Quer saber mais sobre Co-dependência?
Leia o livro Co-dependência Nunca Mais
Autora: Melody Beattie
Editora: Nova Era

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mães pretendiam vender filhos em troca de crack

Olá, amigos em Cristo!

O texto abaixo é um choque de realidade. Já ouvimos histórias de jovens e adultos que vendem de tudo para conseguir dinheiro exigido pelos traficantes. Eletrodomésticos, roupas, comida. A grande novidade agora é a entrega sem limites por uma substância que domina nossa corpo e nossa mente. A matéria abaixo é do jornalista Adriano Duarte e foi escrita no mês de julho de 2010 para o jornal Pioneiro, de Caxias do Sul (RS). Conta o drama de prostitutas que mesmo antes de dar à luz a seus filhos os negociaram em troca de drogas. Leia e surpreenda-se como nós.

Abraço,
Juliano Rigatti e Samanta Lançanova

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Mães pretendiam vender filhos em troca de crack
Ação do Ministério Público fez com que sete mães perdessem a guarda das criançasAdriano Duarte | adriano.duarte@pioneiro.com | Jornal O Pioneiro

Esqueça viciados que extorquem pais, irmãos, avós. Que assaltam para sustentar o vício. Que se vendem em troca de droga. Em Farroupilha, próspera cidade da Serra gaúcha, sete usuárias de crack escreveram um novo capítulo na decadência em que mergulham os dependentes químicos. Engravidaram e acertaram a venda dos seus bebês, em troca de dinheiro. O suposto esquema só foi abortado pela Justiça porque uma das mães, arrependida, teria contado tudo a uma promotora. Atualmente protegidas pela Justiça, as sete crianças foram tiradas do convívio materno e aguardam, num abrigo público, chance de recomeço em outra família.

As prostitutas frequentam rodovias e boates da região da Lomba do Sabão, em Farroupilha. As mulheres, com idades entre 20 e 30 anos, engravidaram entre junho e agosto de 2009. Durante a gestação, teriam negociado previamente a venda das crianças com cafetinas, o que está sendo investigado pelas autoridades. Para entregar os filhos logo após o nascimento, cada uma receberia R$ 1 mil. O negócio seria intermediado por advogados.

Além do crack, as sete jovens têm em comum o fato de se prostituírem e morarem no conhecido ponto de Farroupilha que reúne boates abertas dia e noite. Tudo ruiu porque uma delas denunciou o esquema à promotora Cláudia Formolo Hendler Balbinot. De março a junho deste ano, com apoio da Justiça, Cláudia tirou a guarda de seis meninas e um menino das mães e os colocou em um abrigo para adoção.

A trama foi revelada em março, por meio de uma carta que teria sido escrita por uma das garotas de programa, na qual ela pedia ajuda da promotora, dando detalhes de como aconteceria a venda dos bebês. O relato ajudou a reforçar a atenção da promotoria, que já monitorava três grávidas da Lomba do Sabão suspeitas de pretenderem vender as crianças.

Na carta, a jovem diz que ela e suas conhecidas se prostituíam para receber a droga como pagamento. Ao final da gravidez, as cafetinas forçariam a entrega dos bebês, que seriam repassados a outras famílias. Para manter as mães em silêncio, prometeram dinheiro. A negociação ficaria facilitada pelo forte envolvimento das mães com o crack e teria o intermédio de um homem, não identificado.

Avós podem ganhar a guarda – A promotora determinou o acompanhamento da gestação por outros órgãos da cidade. Um estudo social mostrou que as sete mulheres e seus familiares não tinham condições de criar os filhos. Por isso, a Justiça determinou o recolhimento de todos os bebês assim que nascessem. A medida judicial também deixou claro que as mulheres não poderiam ter contato posterior com as crianças. Para a promotora, a ação impediu que os meninos e meninas sofressem com maus-tratos ou abandono. Ela acredita que as mães não queriam e também não conseguiriam cuidar dos bebês.

Uma das gestantes, sabendo que perderia a guarda do bebê, se refugiou com outros viciados em um ônibus abandonado às margens da RSC-470, em Bento Gonçalves. Alertados, PMs localizaram a mulher e a trouxeram de volta à cidade.

Durante a gestação, todas elas usaram crack. Por esse motivo, o juiz Mário Maggioni determinou a internação compulsória delas para proteger os bebês. O tratamento, porém, foi descumprido. Nas audiências posteriores ao nascimento, três homens se apresentaram como pais, mas nenhum apresentou condições de assumir a criação. Segundo a promotora, dois avós manifestaram vontade de ficar com os bebês. Os pedidos ainda estão sob avaliação judicial.

Mãe deseja a filha de volta – O cheiro de cigarro está impregnado na casa, misto de boate e moradia na Lomba do Sabão (Farroupilha). Sentada sobre um sofá rasgado, a jovem de 21 anos não admite ser viciada em crack. Muito magra, ela tenta disfarçar a condição de dependente das pedras. Mas seu histórico extenso, que inclui passagens por casas de tratamento, Conselho Tutelar e delegacias, indica que o vício nunca foi interrompido.

Ela teria sido a pessoa que escreveu a carta (acima) pedindo ajuda do Ministério Público. Juliana nega. Acredita que alguém usou seu nome para lhe prejudicar. Também afirma que nunca houve negociação para vender seu bebê. Ela tem outros dois filhos que moram com o pai e com uma avó.

Enquanto conta parte de sua história, a jovem chora. Diz que ainda sente o cheiro de sua filha e não esquece o dia do parto. A menina nasceu na segunda semana de abril, cercada de cuidados, pois a gestação não teve acompanhamento médico. Juliana sentiu as primeiras contrações de manhã, mas só procurou o médico à tarde, quando a dona da boate apareceu. Na cama, ao ouvir o primeiro choro, ela pediu para ver a menina. As enfermeiras trouxeram a criança, e a jovem a abraçou por dois minutos. Quando teve a filha, diz ter parado de usar crack e de ir à estrada se prostituir. Ela tentou sensibilizar a Justiça, mas não convenceu:

– Minha mãe tem condições de ficar com o bebê, mas negaram.

Juliana diz ter procurado um advogado para tentar reconquistar a filha. A partir desse dia, promete que entrará em um programa de reabilitação.

– Mesmo sendo a mãe que fui, mereço ter minha filha de volta. Sinto o cheiro dela quando vou dormir.

À espera da nova família – Sem as mães, os sete bebês recebem cuidados das educadoras do abrigo público de Farroupilha. São alimentados com suplementos receitados por um médico e dormem em um berçário com sistema de água aquecida. Os recém-nascidos estão sob um controle rígido, não sendo permitido o contato com pessoas de fora ou com as outras crianças da casa, também acolhidas devido a maus-tratos e abandono. A medida tem o objetivo de evitar doenças, já que os bebês são muito frágeis.

Quando as crianças chegaram ao berçário, não apresentavam alterações, com exceção do peso reduzido. Os recém nascidos não sofreram crise de abstinência, algo que pode acontecer com filhos de viciadas. Dois bebês ficaram alguns dias no hospital. Como as mães não fizeram pré-natal, as equipes não sabem se eles poderão ter algum problema de saúde no futuro. Em alguns meses, essas crianças devem deixar a casa para estar nos braços de alguma família.
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