Mostrando postagens com marcador amor exigente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor exigente. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Como atingir o verdadeiro amor ao próximo?


Pela compreensão
O primeiro passo é a compreensão. Procura compreender, procura entender as razões pela quais a pessoa agiu como agiu. Em que contexto esta pessoa vive? Quais são suas raízes culturais? Quem busca compreender, não julga, não aponta o dedo, pergunta como está, pergunta o que aconteceu.

Pela aceitação
Se você não consegue compreender, o segundo passo é aceitar que aquela pessoa tem defeitos, tem limites, assim como você tem defeitos e tem limites.

Uma vez um filho disse para a mãe que estava decidido, ia se casar. Sua mãe logo lhe perguntou quais eram os defeitos da futura esposa. Alegre, o filho respondeu que ela não tinha defeitos. Sua mãe, triste, o advertiu pedindo que não casasse. Porque grande seria a decepção quando ele começasse a descobrir os defeitos da esposa. O que isso significa? Que você só deve casar com alguém se você ama também os seus defeitos, se você a aceita assim como ela é, com qualidades e defeitos. Se você não aceita o outro em sua integridade, você não ama.

Pelo Perdão
Mas se você não compreende e não pode aceitar o que a outra pessoa faz, se esta pessoa tem defeitos de caráter, se ela te sacaneia, assim mesmo você ainda pode amar: perdoando-a.

"É esse o amor que liberta da dependência química e liberta de muitos males da sociedade." Pe. Eduardo Delazeri

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Natal da escolha pela vida

Deus é amor,
Mas qual o significado dessa afirmação?

Deus é amor,
Mas, após a sua morte, precisou que 11 homens levassem sua palavra para o resto do mundo.

Deus é amor,
Mas precisou que os homens o maltratassem, batessem, e o matássem, pregando-o numa cruz.

Deus é amor,
Mas precisou que a multidão o condenasse à morte aos berros.

Deus é amor,
Mas precisou que um de seus discípulos o traísse e entregasse aos guardas.

Deus é amor,
Mas precisou da coragem e da confiança de um homem para fazê-lo andar sobre as águas.

Deus é amor,
Mas precisou de cinco pães e dois peixes para só então multiplicá-los.

Deus é amor,
Mas precisou de mãos obedientes que jogassem as redes ao mar.

Deus é amor,
Mas precisou da colaboração dos serventes para encher os barris de água para então transformá-la em vinho.

Deus é amor,
Mas precisou da demonstração de fé de cada homem e de cada mulher cada vez que operou um de seus milagres.

Deus é amor,
Mas precisou de um homem para batizá-lo no rio Jordão.

Deus é amor,
Mas precisou que José acreditasse nas promessas de um anjo em um de seus sonhos.

Deus é amor,
Mas precisou da aceitação de uma mulher simples para que seu filho viesse ao mundo.

Deus é amor,
E fez questão de nascer homem para experimentar as nossas tentações, os nossos sofrimentos, as nossas dores, as nossas angústias e com isso nos ensinar o seu amor.

Jesus Cristo foi o professor do amor de Deus. Ao longo da sua história conosco aqui na Terra deu provas de que precisa da ação do homem para realizar o seu amor.

O amor de Deus não é afeto, não é bemquerer, não é romantismo, não é serenata, não é um sentimento, não se realiza em nosso coração. O amor de Deus é um amor de dentro pra fora, é um amor que nasce na gente e se realiza no outro.

É amor-atitude, é um amor-doação, é um amor que precisa do seu compromisso, do seu gesto para se concretizar.

Deus é amor e é um amor-exigente.

Um amor que não faz nada sozinho. Um amor que é sempre pela metade. Um amor que precisa ser completado. Que exige entrega, que exige confiança, que exige desapego, que exige fé.

Com a nossa participação, o amor de Deus opera milagres.

Se do ventre de uma virgem nasceu uma criança,

Será que o Espírito Santo não pode proteger o seu filho, o seu esposo para que não experimentem a droga?

Será que o Espírito Santo não pode encorajar uma família a viver o amor-exigente? Não pode encorajar uma família a participar de grupos de apoio todas as semanas, durante um ano, dois anos, o tempo que precisar?

Será que o Espírito Santo não pode convencer um dependente químico a aceitar o tratamento? Não pode lhe dar forças para não recair?

Será que o Espírito Santo não pode devolver a vida a um dependente químico?

O Natal é a celebração do nascimento do amor. Será que o Espírito Santo não fará o amor nascer em você?

Que o seu Natal seja o nascimento de um amor que é exigente. De um amor que torna os dias mais leves. Que traz a paz. Que ensina a conviver, que ensina a ajudar, que ensina a partilhar, que ensina que antes de dar daquilo que você tem, você precisa dar daquilo que você é.

Deus é amor, Deus é a vida, mas, para nascer, precisa do seu consentimento, da sua participação, da sua escolha.

Escolhe, pois, a vida.

Feliz Natal para você e para toda a sua família.

Da equipe do programa Escolhe, Pois, a Vida da Rádio Aliança.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Instituto Crack, Nem Pensar

Olá, amigos em Cristo.

Vejam que boa notícia:











INSTITUTO CRACK NEM PENSAR É LANÇADO EM PORTO ALEGRE
Solenidade de assinatura do protocolo de cooperação ocorreu nesta terça-feira

Sete entidades públicas e privadas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina lançaram, hoje, em Porto Alegre, o Instituto Crack, Nem Pensar. O objetivo da organização de direito privado, sem fins lucrativos, é o desenvolvimento de ações de ensino, pesquisa e extensão, apoiando iniciativas da sociedade para o enfrentamento do consumo do crack e outras drogas.

No início da cerimônia, foi apresentado um vídeo com o balanço da campanha, mostrando depoimentos de usuários e familiares, além de reportagens do Grupo RBS sobre o tema.

— Estamos muito orgulhosos de fazer esse encontro na nossa casa. A RBS tem tradição de mobilizar todos os seus veículos para causas visando ao interesse coletivo. Este trabalho representou um embrião, um alerta para todo o país. O instituto dará continuidade aos vários esforços para contribuir na erradicação das drogas — disse o presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky, durante a solenidade de assinatura do protocolo de cooperação, no Salão Nobre do Grupo RBS, na Capital, com a presença dos parceiros.

O instituto terá sede inicial em Porto Alegre e reforçará a campanha Crack, Nem Pensar, que vem sendo promovida desde maio de 2009 pela RBS, mobilizando gaúchos e catarinenses.

O Instituto Crack, Nem Pensar pretende amplificar o mutirão social. Uma das primeiras medidas será instalar o Observatório sobre o Crack e outras Drogas, um centro de referência que contará com um banco de dados para mapear as práticas no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no país. As informações serão centralizadas em um site, com indicadores sobre o assunto.

Ação policial
O instituto é fundado no momento de maior repressão policial e de conscientização das pessoas sobre os malefícios do crack. Números da Secretaria da Segurança Pública e das polícias expõem que a prisão de traficantes e as apreensões da droga sobem pelo menos 15% no ano. São quase 4,3 mil pedras retiradas de circulação, na média diária, por Brigada Militar e Polícia Civil. Um dos reflexos positivos é a queda nos índices de criminalidade. Os casos de roubo de veículos, por exemplo, despencaram 18% nos primeiros 10 meses de 2010.

Os parceiros
As organizações gaúchas e catarinenses que formarão o Instituto Crack Nem Pensar:
- Associação Catarinense do Ministério Público (ACMP)
- Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (AMP/RS)
- Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris)
- Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC)
- Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho
- Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

sábado, 30 de outubro de 2010

Co-dependência e cooperação

Olá, amigos em Cristo.

No programa do dia 25/10, tratamos de refletir mais um pouco sobre co-dependência e cooperação no programa Escola Pois a Vida, da rádio Aliança (FM 106.3), em Porto Alegre. E chegamos mais uma vez à conclusão que quase tudo nessa vida está interligado. O programa vai ao ar toda segunda-feira, das 21h30 às 23h, e pode ser ouvido pela internet também: http://www.alianca.fm.br/

Alguém co-dependente de um dependente químico é uma pessoa que não vive mais sua própria vida. É aquele que é desonesto com seus próprios sentimentos e vontades em função dos sentimentos e vontades do outro. É alguém que está viciado no "sim". Não sabe mais pronunciar o "não" por medo da reação e da perda do amor e do carinho do outro. É alguém que acha que sua existência é fundamental para a sobrevivência do outro. O co-dependente é um elo de um círculo vicioso sem fim, que gira em torno da morte.

Mas como surge a co-dependência?

Da falta de cooperação.

Na infância, período em que a cooperação precisa começar a ser ensinada e aprendida, cooperar é fazer a sua parte nas tarefas domésticas mais simples. É lavar a louça, é varrer o pátio, é limpar as aberturas. Cooperar é mais do que simplesmente dividir tarefas. Cooperar é somar. Uma criança que coopera, aprende desde cedo que tem parte no sucesso e no fracasso das coisas. Secar a louça ensina a ser cidadão, você sabia? Ensina que você deve muito à sociedade e que não deve apenas usufruir de seus recursos.

Em uma família em que há cooperação, seja lá que idade as pessoas tenham, a co-dependência não encontra morada. Onde as pessoas sabem que cada um é responsável pelos seus atos, a co-dependência não tem razão de existir. Ali, eu não sou fundamental para a felicidade do outro. É ele mesmo que precisa buscar a sua felicidade, construir por suas próprias mãos o seu caminho.

Portanto, para prevenir as drogas, ensine e pratique a cooperação. Faça e reze para que cada um encontre a sua importância perante a vida e viva conforme tal convicção. Para vencer as drogas, reaprenda a cooperar e evite que se crie dentro de casa uma cultura de dependência mútua. Cada um precisa reconhecer e reaprender seus limites. O dependente químico e o familiar precisam compreender seus papéis e perseverar no cumprimento deles. Para não recair, exija que haja cooperação dentro de casa. E cooperar não significa um encobrir o erro do outro. É preciso que cada um compreenda sua parcela de participação da paz dentro do lar.

A falta de cooperação leva à co-dependência. Foi a conclusão a que chegamos juntos naquela noite de segunda-feira, no estúdio da rádio.

Tendo ou não um dependente químico dentro de casa, como eu sei se já sou um co-dependente?
Leia no site da CODA - Co-dependentes anônimos: http://www.codabrasil.org/diag1.htm

E como eu deixo de ser um co-dependente?

Um abraço,
Juliano Rigatti e Samanta Lançanova

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sobre cooperação

Olá, amigos em Cristo.

Eu conheço a Fábula dos Porcos-Espinhos há pelo menos dez anos. Há uma década, ela já tinha um significado especial na minha vida. Eu era um adolescente e precisava começar a aprender a conviver com os outros, mesmo antes de aprender a lidar comigo. Hoje, ao buscar compreender a metodologia do Amor Exigente, esta história renova o seu significado.

Todo dependente químico em recuperação precisa da cooperação para encontrar a vida novamente. A cooperação consigo mesmo, a cooperação de sua família e de todos os que o amam. E cooperar é aprender a conviver. O nome desta fábula abaixo também é Fábula da Convivência. Porque todos temos espinhos. Não é fácil aceitar o outro, com suas características únicas, seus defeitos incorrigíveis, suas manias que nos incomodam. Cooperar é fazer um esforço pela convicência em harmonia. Fazer o esforço da convivência, da cooperação é, sobretudo, amar.

Um abraço,
Juliano Rigatti e Samanta Lançanova

********************************

FÁBULA DA CONVIVÊNCIA

Durante uma era glacial, muito remota, quando parte do globo terrestre esteve coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições do clima hostil.

Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, e juntar-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso.

Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte e afastaram-se feridos, magoados, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus companheiros.

Os espinhos doíam muito.

Mas essa não foi a melhor solução: afastados, separados, logo começaram a morrer congelados. Os que não morreram, voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com precauções, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver, resistindo à longa era glacial.

Os porcos-espinhos sobreviveram.

É fácil trocar palavras, difícil é interpretar os silêncios.
É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar.
É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração.
É fácil apertar as mãos, difícil é reter o seu calor.
É fácil sentir o amor, difícil é conter sua torrente.

Que possamos nos aproximar uns dos outros com amor e serenidade de tal forma que nossos espinhos não firam as pessoas que mais amamos tanto no trabalho, na escola, na igreja, em casa ou na rua.


sábado, 25 de setembro de 2010

Grupos de apoio

Olá, amigos em Cristo!

Pouco tempo atrás, assisti o filme Na Natureza Selvagem. É um filme, mas podia ser um documentário. Conta a história real de um rapaz que chateou-se com a riqueza que lhe ofereciam seus pais e saiu mundo afora, mochilão nas costas. Na mata, viveu da pouca comida que levara e da caça que se apresentava à mira de sua arma. Impedido de ultrapassar um rio e acometido por um veneno mortal, que ingerira em uma planta que jurava ser comestível, o tal rapaz começa a ver o fim da sua vida. Sozinho, doente e magérrimo, Christopher McCandless morre minutos depois de escrever a última frase de seu diário: "A felicidade só se realiza se compartilhada".

Se a felicidade só é possível quando partilhamos nossa vida com alguém, no combate às drogas, a atitude de reunir-se é uma regra de ouro. A importância dos grupos de apoio no núcleo familiar ou no círculo de amigos de um dependente químico é vital. É só com o apoio de semelhantes, que vivem problemas idênticos, é que a droga pode ser combatida. "Quando soube que o grupo de apoio que conheci também se reunia em Porto Alegre, onde eu morava, quase chorei de alegria", recorda Vera Lúcia Proença, hoje responsável pelo grupo Esperança Viva, da paróquia Santa Terezinha, na Capital gaúcha. "Hoje, não vivo sem o grupo, é ele que me dá forças para nunca desistir do meu filho", completa ela. "Mesmo se só formos meu marido e eu na reunião, o encontro acontece mesmo assim", afirma.

Sadi Petuco, diretor de ressocialização do Pacto, fazenda de recuperação localizada em Viamão, é enfático ao falar da relevância dos grupos de apoio. "Se você estiver na praia, de férias, procure seu grupo lá ou volte pra cidade. Não tire férias porque a droga não tira férias", recomenda Petuco. "Eu participei três anos e meio de um grupo de apoio e aprendi muito com pessoas que tinham problemas iguais ao meu", lembra ele.

É unanimidade. Procurar um grupo de apoio é o primeiro passo para trazer a vida do dependente químico de volta. Só preparados e apoiados, pais, filhos e amigos amarão o suficiente para ajudar no tratamento das drogas.

Clique no link abaixo e procure o grupo de apoio mais perto de você ou da pessoa que está precisando:

http://www.amorexigente.org.br/busca-grupos/applications/GruposdeApoioList.asp?s_SEDE=&s_UF=RS&frmGruposdeApoioListPage=1

Um abraço, Juliano Rigatti e Samanta Lançanova

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Co-dependência: a epidemia do século


Olá, amigos em Cristo. Diga "não" às drogas. Você já ouviu essa expressão em algum momento de sua vida, ? Pois agora vamos dizer a você que o "não" não deve ser dado somente às drogas no momento em que ela for oferecida à você. O "não" também tem importância fundamental na convivência com um dependente químico. Explicaremos porquê.

"A co-dependência é a epidemia do século", alertou Débora Brito, voluntária do Grupo de Apoio Betânia, localizado na Restinga, em Porto Alegre, enquanto participava do programa Escolhe Pois a Vida, da Rádio Aliança, no dia 30/08/2010. "Não é uma epidemia, é mais grave, é uma pandemia", acrescentou Sadi Petuco, diretor de ressocialização da Fazenda de Recuperação Pacto, em Viamão. O certo é que a co-dependência contamina aqueles que não sabem usar o "não" na hora certa. "É doído. Às vezes passamos por malvados, mas é necessário", conta Maria Rosária, também voluntária do grupo Betânia, da Restinga. A co-dependência nos afeta e afeta principalmente os familiares dos dependentes químicos. Co-dependente é alguém que acredita ser responsável pela felicidade alheia, mas que pouco cuida da sua. Diz muitos "sim" na intenção de demonstrar seu amor e seu afeto, mas esquece que, evitando o "não", deixa de ajudar na cura da pessoa que ama.

O livro Co-dependência Nunca Mais, da jornalista norte-americana Melody Beattie, explica um pouco das razões que nos levam a evitar o "não". "Não fazemos isso de propósito. Fazemos isso porque aprendemos a comunicarmo-nos desta forma. Em alguma época, talvez em nossa infância ou na família adulta, aprendemos que não devemos conversar sobre problemas, expressar emoções e opiniões. Aprendemos que não se deve dizer exatamente o que se quer e deseja. Era definitivamente errado dizer 'não', e defendermos algo por nós mesmos. Um pai ou cônjuge alcoólico ficará feliz em ensinar essas regras; nós estávamos prontos a aprendê-las e aceitá-las."

Mais do que explicar como aprendemos que não devemos dizer "não", o livro de Beattie nos indica o provável professor. Já ouvimos casos em que pessoas que conviveram com dependentes químicos -- e foram co-dependentes, por consequência -- aprenderam a conviver dizendo "sim" a todo instante e repetem este padrão na vida adulta, com o esposo(a) ou filho drogado.

O "não" bem colocado cria limites. O bebê e a criança precisam de muitos "não" para aprenderem até onde podem ir. "Não pegue o lápis do coleguinha porque este lápis não é seu", deve dizer um pai. A criança aprenderá o seu limite e entenderá as razões que o levam a obedecê-lo. Na vida adulta, nos deparamos com "Não estacione", "Não ultrapasse a faixa", "Não buzine", "Não beba antes de dirigir". Se ignoramos estas regras, somos punidos.

O dependente químico perde essa noção, a noção da transgressão. Para ele, tudo pode em favor da droga. Os seus responsáveis precisam usar o "não" para restabelecer os limites na vida do dependente químico. O "não" do pai ou do(a) esposo(a) é uma forma de disciplina. O "sim", ao contrário, é como dizer "faça tudo de novo".

Mas o "não" precisa ser dito com consciência e sabendo onde se quer chegar. Por isso, antes do "não" é importante que o responsável pelo dependente químico saiba que irá gerar uma crise com o seu "não". (Nunca ouviu falar de Crise? Então clique aqui) E antes de gerar uma Crise, procure um Grupo de Apoio do Amor-Exigente e prepare-se para enfrentar este problema que pode trazer um final muito feliz. (Não sabe onde encontrar Grupos de Apoio? Clique aqui).

E o mais importante, o "não", embora não pareça, é uma forma de amor, de afeto. Você já ouviu as frases "quem ama, cuida" ou "quem ama, educa"? Pois é. Cuidar e amar no campo da dependência química é dizer "não".

Um abraço, Juliano Rigatti e Samanta Lançanova.

----------------------------------------------------------

Quer saber mais sobre Co-dependência?
Leia o livro Co-dependência Nunca Mais
Autora: Melody Beattie
Editora: Nova Era

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mães pretendiam vender filhos em troca de crack

Olá, amigos em Cristo!

O texto abaixo é um choque de realidade. Já ouvimos histórias de jovens e adultos que vendem de tudo para conseguir dinheiro exigido pelos traficantes. Eletrodomésticos, roupas, comida. A grande novidade agora é a entrega sem limites por uma substância que domina nossa corpo e nossa mente. A matéria abaixo é do jornalista Adriano Duarte e foi escrita no mês de julho de 2010 para o jornal Pioneiro, de Caxias do Sul (RS). Conta o drama de prostitutas que mesmo antes de dar à luz a seus filhos os negociaram em troca de drogas. Leia e surpreenda-se como nós.

Abraço,
Juliano Rigatti e Samanta Lançanova

================================

Mães pretendiam vender filhos em troca de crack
Ação do Ministério Público fez com que sete mães perdessem a guarda das criançasAdriano Duarte | adriano.duarte@pioneiro.com | Jornal O Pioneiro

Esqueça viciados que extorquem pais, irmãos, avós. Que assaltam para sustentar o vício. Que se vendem em troca de droga. Em Farroupilha, próspera cidade da Serra gaúcha, sete usuárias de crack escreveram um novo capítulo na decadência em que mergulham os dependentes químicos. Engravidaram e acertaram a venda dos seus bebês, em troca de dinheiro. O suposto esquema só foi abortado pela Justiça porque uma das mães, arrependida, teria contado tudo a uma promotora. Atualmente protegidas pela Justiça, as sete crianças foram tiradas do convívio materno e aguardam, num abrigo público, chance de recomeço em outra família.

As prostitutas frequentam rodovias e boates da região da Lomba do Sabão, em Farroupilha. As mulheres, com idades entre 20 e 30 anos, engravidaram entre junho e agosto de 2009. Durante a gestação, teriam negociado previamente a venda das crianças com cafetinas, o que está sendo investigado pelas autoridades. Para entregar os filhos logo após o nascimento, cada uma receberia R$ 1 mil. O negócio seria intermediado por advogados.

Além do crack, as sete jovens têm em comum o fato de se prostituírem e morarem no conhecido ponto de Farroupilha que reúne boates abertas dia e noite. Tudo ruiu porque uma delas denunciou o esquema à promotora Cláudia Formolo Hendler Balbinot. De março a junho deste ano, com apoio da Justiça, Cláudia tirou a guarda de seis meninas e um menino das mães e os colocou em um abrigo para adoção.

A trama foi revelada em março, por meio de uma carta que teria sido escrita por uma das garotas de programa, na qual ela pedia ajuda da promotora, dando detalhes de como aconteceria a venda dos bebês. O relato ajudou a reforçar a atenção da promotoria, que já monitorava três grávidas da Lomba do Sabão suspeitas de pretenderem vender as crianças.

Na carta, a jovem diz que ela e suas conhecidas se prostituíam para receber a droga como pagamento. Ao final da gravidez, as cafetinas forçariam a entrega dos bebês, que seriam repassados a outras famílias. Para manter as mães em silêncio, prometeram dinheiro. A negociação ficaria facilitada pelo forte envolvimento das mães com o crack e teria o intermédio de um homem, não identificado.

Avós podem ganhar a guarda – A promotora determinou o acompanhamento da gestação por outros órgãos da cidade. Um estudo social mostrou que as sete mulheres e seus familiares não tinham condições de criar os filhos. Por isso, a Justiça determinou o recolhimento de todos os bebês assim que nascessem. A medida judicial também deixou claro que as mulheres não poderiam ter contato posterior com as crianças. Para a promotora, a ação impediu que os meninos e meninas sofressem com maus-tratos ou abandono. Ela acredita que as mães não queriam e também não conseguiriam cuidar dos bebês.

Uma das gestantes, sabendo que perderia a guarda do bebê, se refugiou com outros viciados em um ônibus abandonado às margens da RSC-470, em Bento Gonçalves. Alertados, PMs localizaram a mulher e a trouxeram de volta à cidade.

Durante a gestação, todas elas usaram crack. Por esse motivo, o juiz Mário Maggioni determinou a internação compulsória delas para proteger os bebês. O tratamento, porém, foi descumprido. Nas audiências posteriores ao nascimento, três homens se apresentaram como pais, mas nenhum apresentou condições de assumir a criação. Segundo a promotora, dois avós manifestaram vontade de ficar com os bebês. Os pedidos ainda estão sob avaliação judicial.

Mãe deseja a filha de volta – O cheiro de cigarro está impregnado na casa, misto de boate e moradia na Lomba do Sabão (Farroupilha). Sentada sobre um sofá rasgado, a jovem de 21 anos não admite ser viciada em crack. Muito magra, ela tenta disfarçar a condição de dependente das pedras. Mas seu histórico extenso, que inclui passagens por casas de tratamento, Conselho Tutelar e delegacias, indica que o vício nunca foi interrompido.

Ela teria sido a pessoa que escreveu a carta (acima) pedindo ajuda do Ministério Público. Juliana nega. Acredita que alguém usou seu nome para lhe prejudicar. Também afirma que nunca houve negociação para vender seu bebê. Ela tem outros dois filhos que moram com o pai e com uma avó.

Enquanto conta parte de sua história, a jovem chora. Diz que ainda sente o cheiro de sua filha e não esquece o dia do parto. A menina nasceu na segunda semana de abril, cercada de cuidados, pois a gestação não teve acompanhamento médico. Juliana sentiu as primeiras contrações de manhã, mas só procurou o médico à tarde, quando a dona da boate apareceu. Na cama, ao ouvir o primeiro choro, ela pediu para ver a menina. As enfermeiras trouxeram a criança, e a jovem a abraçou por dois minutos. Quando teve a filha, diz ter parado de usar crack e de ir à estrada se prostituir. Ela tentou sensibilizar a Justiça, mas não convenceu:

– Minha mãe tem condições de ficar com o bebê, mas negaram.

Juliana diz ter procurado um advogado para tentar reconquistar a filha. A partir desse dia, promete que entrará em um programa de reabilitação.

– Mesmo sendo a mãe que fui, mereço ter minha filha de volta. Sinto o cheiro dela quando vou dormir.

À espera da nova família – Sem as mães, os sete bebês recebem cuidados das educadoras do abrigo público de Farroupilha. São alimentados com suplementos receitados por um médico e dormem em um berçário com sistema de água aquecida. Os recém-nascidos estão sob um controle rígido, não sendo permitido o contato com pessoas de fora ou com as outras crianças da casa, também acolhidas devido a maus-tratos e abandono. A medida tem o objetivo de evitar doenças, já que os bebês são muito frágeis.

Quando as crianças chegaram ao berçário, não apresentavam alterações, com exceção do peso reduzido. Os recém nascidos não sofreram crise de abstinência, algo que pode acontecer com filhos de viciadas. Dois bebês ficaram alguns dias no hospital. Como as mães não fizeram pré-natal, as equipes não sabem se eles poderão ter algum problema de saúde no futuro. Em alguns meses, essas crianças devem deixar a casa para estar nos braços de alguma família.
Related Posts with Thumbnails