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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Codependência: A doença da perda da alma
Amigos em Cristo, segue texto extraído de artigo de Roberto Ziemer, mestre em psicologia social pela PUC-SP e terapeuta formado pelo Grof Transpersonal Center. Texto original em: http://www.plenitude.com.br/index.php?paginas_ler&artigos&id=931
A codependência (http://www.codabrasil.org/) tem origem e é reforçada nas instituições (família, escola, empresa, igreja) baseadas em regras rígidas de comportamento que impedem a espontaneidade, em que não há espaço para a expressão de nossa verdadeira identidade. Algumas das regras mais comuns nestes ambientes são:
Não fale de problemas ou conflitos
Isto pode ser interpretado como crítica ou ataque àqueles que estimamos ou dependemos. Além disso, não faça esforços para resolver realmente os problemas, pois ao contrário do discurso, estes precisam perdurar para que algumas pessoas continuem controlando ou comandando.
Não expresse sentimentos
Sentimentos podem revelar temas ou assuntos proibidos (tabus). Também podem reavivar memórias que a maioria das pessoas gostaria de esquecer.
Sempre se comunique de forma indireta
Muitos pais, professores ou líderes de empresa têm dificuldade de comunicar-se e expressar-se de forma direta e transparente. Isto obriga a uma comunicação indireta, por meio de intermediários;
Não seja egoísta - preocupe-se com os outros em primeiro lugar, principalmente aqueles que têm "problemas". Suas necessidades e desejos não são importantes - coloque-as no final da lista.
Faça o que eu digo, não o que eu faço
Aqueles que têm poder - adultos (para a criança) e líderes (para os adultos) - muitas vezes não se sentem obrigados a fazer o que falam, mas exigem que as pessoas que delas dependem se iludam com seus discursos.
É proibido brincar e relaxar
É preciso estar sempre ocupado, fazendo alguma coisa, atento e preparado para a próxima crise. Relaxar é perigoso, pois permite uma conscientização das regras tóxicas do grupo;
É proibido errar - errar é vergonhoso e passível de punição ou humilhação, pois revela que somos imperfeitos, pecadores, distantes da meta cristã ("à imagem e semelhança de Deus"). Por isso, se errar esconda, ou encontre um culpado.
Sacrifique-se
Não se preocupe com suas necessidades, nem com os sacrifícios que você terá que fazer para "ajudar" (salvar) os outros, ou encobrir suas dificuldades.
Os padrões de codependência
Sob a influência das regras de conduta estabelecidas pelos grupos com os quais convivemos (expostos acima), da qualidade de nossos primeiros relacionamentos e de nossa própria constituição psicológica (tendências inatas), escolhemos papéis ou padrões de codependência que definem nossas escolhas, comportamentos e atitudes. Estes papéis têm a função tanto de encobrir o vazio de identidade, quanto o de dar algum significado à nossa percepção confusa ou distorcida de mundo.
"Salvador" ou "Consertador" - a auto estima destas pessoas passa a depender da capacidade de ajudar ou "salvar" outras pessoas, especialmente as "vítimas", aquelas que não querem se responsabilizar pelos próprios problemas;
"Agradadores" - estão sempre preocupados em agradar, pois não acreditam que as pessoas com as quais convivem possam achá-los interessantes - com base numa auto estima negativa os "agradadores" estão sempre se achando inoportunos ou impróprios;
"Inadequados" ou "perdedores" - sentem-se como os "agradadores" - imperfeitos, "defeituosos", "errados" - mas desistiram de fazer qualquer esforço para agradar. Ao contrário, se envolvem em situações difíceis ou desastrosas apenas para confirmar o papel de "perdedores";
"Perfeccionistas" - acreditam que apenas serão amados ou reconhecidos se forem "perfeitos". Perfeccionistas são extremamente críticos e severos consigo mesmos e com os outros, o que gera relacionamentos conflituosos e estressantes;
"Super-empreendedores" - são escolhidos como "heróis" da família, aqueles que irão encobrir as dificuldades, humilhações e derrotas do passado através de grandes feitos - tornarem-se cientistas renomados, empresários de sucesso, artistas conhecidos. Tem compulsão pelo trabalho, e pouco tempo para relacionamentos com outras pessoas ou consigo mesmo;
"Narcisistas" - são extremamente inseguros e apresentam baixa auto estima, que encobrem com uma "fachada" de autoconfiança elevada e grande capacidade de manipular e iludir os "agradadores", "inadequados" e "super-empreendedores". Não aceitam ser questionados ou criticados, e precisam ser sempre o centro das atenções.
Cura e Transformação
Os padrões de codependência, embora necessários nos primeiros anos de vida, tornam-se, gradativamente, fonte de frustração e limitação interior. Enquanto nossas ações e decisões estiverem sob a influência destes papéis estaremos impossibilitados de ter uma vida plena e satisfatória.
Para modificar esta situação precisamos estar dispostos a encarar um programa de auto desenvolvimento, que seja capaz tanto de nos ajudar a identificar e desvencilhar dos padrões destrutivos (eu falso), quanto apoiar a manifestação de nossa verdadeira identidade (eu verdadeiro).
Quer começar a mudança? Procure o grupo de Amor-Exigente mais perto de sua casa, do seu trabalho. E boa transformação!
sábado, 30 de outubro de 2010
Co-dependência e cooperação
Olá, amigos em Cristo.
Alguém co-dependente de um dependente químico é uma pessoa que não vive mais sua própria vida. É aquele que é desonesto com seus próprios sentimentos e vontades em função dos sentimentos e vontades do outro. É alguém que está viciado no "sim". Não sabe mais pronunciar o "não" por medo da reação e da perda do amor e do carinho do outro. É alguém que acha que sua existência é fundamental para a sobrevivência do outro. O co-dependente é um elo de um círculo vicioso sem fim, que gira em torno da morte.
Mas como surge a co-dependência?
Da falta de cooperação.
Na infância, período em que a cooperação precisa começar a ser ensinada e aprendida, cooperar é fazer a sua parte nas tarefas domésticas mais simples. É lavar a louça, é varrer o pátio, é limpar as aberturas. Cooperar é mais do que simplesmente dividir tarefas. Cooperar é somar. Uma criança que coopera, aprende desde cedo que tem parte no sucesso e no fracasso das coisas. Secar a louça ensina a ser cidadão, você sabia? Ensina que você deve muito à sociedade e que não deve apenas usufruir de seus recursos.
Em uma família em que há cooperação, seja lá que idade as pessoas tenham, a co-dependência não encontra morada. Onde as pessoas sabem que cada um é responsável pelos seus atos, a co-dependência não tem razão de existir. Ali, eu não sou fundamental para a felicidade do outro. É ele mesmo que precisa buscar a sua felicidade, construir por suas próprias mãos o seu caminho.
Portanto, para prevenir as drogas, ensine e pratique a cooperação. Faça e reze para que cada um encontre a sua importância perante a vida e viva conforme tal convicção. Para vencer as drogas, reaprenda a cooperar e evite que se crie dentro de casa uma cultura de dependência mútua. Cada um precisa reconhecer e reaprender seus limites. O dependente químico e o familiar precisam compreender seus papéis e perseverar no cumprimento deles. Para não recair, exija que haja cooperação dentro de casa. E cooperar não significa um encobrir o erro do outro. É preciso que cada um compreenda sua parcela de participação da paz dentro do lar.
A falta de cooperação leva à co-dependência. Foi a conclusão a que chegamos juntos naquela noite de segunda-feira, no estúdio da rádio.
Tendo ou não um dependente químico dentro de casa, como eu sei se já sou um co-dependente?
Juliano Rigatti e Samanta Lançanova
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