quarta-feira, 4 de agosto de 2010

SER PADRE


Padre, pessoa de Deus
Porta voz de Jesus Cristo

Ser Padre é uma aventura
Viver entre espinhos e rosas
Sem nunca reclamar
Pronto a nos ajudar

Padre é aquele que perdoa
Que partilha os Sacramentos
Que anuncia a Boa-Nova
Que da massa é o fermento

Ser Padre é estar a serviço dos outros
Sem se preocupar com o tempo
Ser Padre é partilhar O pão que é Jesus
Alimenta com a palavra
Mostrando esta luz

Ser Padre: É ser alegre e otimista
É ser sal e luz
É ajudar o irmão
É sentir o peso da cruz
É ser filho de Deus
É ser irmão de Jesus!

Ser padre é ser “pai” de uma comunidade inteira. Como tal, ele é o homem da Palavra de Deus, da Eucaristia, do perdão e da bênção, exemplo de humildade, penitência e tolerância, o pregador e conversor da fé cristã. Enfim, é um comunicador e entusiasta da Igreja, que luta por uma vivência cristã mais perfeita.

Parabéns a todos os padres!!!
Muitas bençãos e graças na caminhada sacerdotal dos nosso padres!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

ORAÇÃO


Não pretendemos apontar formulas. Queremos olhar para atitudes. A teologia da Revelação diz que Deus quer se revelar e conversar com os homens como com amigos.
“A constituição Dei Verbum do Concílio Vaticano II descreveu a Revelação como o ato mediante o qual Deus se manifesta pessoalmente aos homens” (Diretório Geral para a Catequese,p.41). De fato pode-se ler claramente em Dei Verbum n.2: “Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tornar conhecido o mistério de sua vontade, pelo qual os homens...têm acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina”. Aceitando o auto testemunho da bíblia pode ser lido em Hebreus 1,1-2: “Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas”.
Deus procura a pessoa para falar. Estamos muitas vezes tão ocupados com nossas coisas que não estamos atentos a Deus. Temos até bastante dificuldade para entender que Deus possa querer falar com a gente.
Quem se encontra? Eu e Deus. Dois que eu ainda não conheço bem. Vou começar a me conhecer. Percorro minha história. Somos seres históricos. A história nos marca muito, positiva e negativamente. Quais foram minhas grandes alegrias, meus deslumbramentos, meus entusiasmos? Também devo me perguntar quais foram minhas experiências negativas. Já perdoei as mágoas causadas em mim? Já superei os recalques que ainda teimam em permanecer nos porões do meu subconsciente? Como aceito toda a minha história? Me alegro com minha história? Ela me ajuda a me conhecer melhor? Quais são normalmente meus sentimentos? De ressentimento, de vingança, de soberba, de presunção? Sou um preguiçoso?
Posso dizer agora para meu amigo Deus os meus sentimentos? Tenho ainda vergonha ou sei que sou compreendido por Ele? Como consigo confiar no meu maior amigo da minha vida e que aposta em mim através de seu perdão? Ele, aliás, me conhece melhor do que eu mesmo. Como Ele me conhece? As minhas soberbas, a minha preguiça, a minha luxúria, minha gula se manifestam muitas vezes indiretamente. Consigo diante dele identificar os sentimentos que provém destes demônios?
Deus se manifesta em Jesus. Ele me conhece e me chama de amigo. Como é esta amizade dele? Ele tem suficiente paciência comigo? Ele tem suficiente confiança em mim? Onde posso provar isto? Como faço para escutar o que Ele me tem a dizer? Vou treinar minha atenção pois o linguajar de Deus é muito discreto!
Posso partilhar com Deus todos os meus sentimentos, também os da raiva, do desapontamento, da sede de vingança. Para Ele não preciso parecer. Parecer ser justo, parecer ser coerente, parecer ser bom, parecer ser misericordioso. Para Ele posso ser como sou. Isto é muito bom. Quem sabe, vou treinar minha confiança no Pai apresentando-me todos os dias como eu sou, também com os lados sombrios da minha personalidade. Ele sabe entender e até curar. Ele sabe me reeducar com sabedoria e paciência que muitas vezes não temos conosco mesmos.
Estar com Ele. Aliás, Jesus chamou os apóstolos para estarem com ele, como nos conta o evangelista Marcos 3,14. Esta com Deus é a grande finalidade de nossa criação. Vamos, pois, exercitar o que é a melhor coisa que pode nos acontecer em nossa vida. Mas não é um estar com Ele qualquer. Ele nos acolhe, Ele nos fala, Ele nos introduz à verdadeira vida.
Viver plena comunhão de pensamentos, desejos, aspirações, projetos, sonhos. Assim deverá ser com Deus que sempre é presença e ocultamento. Revelação e mistério estão sempre juntos no relacionamento que temos com Deus. Ele é sempre o Outro.

POVO DE DEUS


A comunidade eclesial foi motivada a partir de quatro pilares do Concílio (Palavra, celebração, fé x vida, sociedade). Hoje para nós, muito marcados pelo individualismo, poderá soar difícil, mas nem por isso deixa de ser verdadeiro: “Aprouve santificar e salvar os homens não singularmente, sem nenhuma conexão uns com os outros, mas constituí-los num povo, que o conhecesse na verdade e santamente O servisse” (LG n9). Longe de ser uma realidade, ainda é uma meta a ser alcançada, diuturna e perseverantemente.
Porque Deus não quis nem quer indivíduos? Deus nem pode fazer diferente pois toda pessoa querida por ele é relação. Ela existe para os outros e não existe para si mesma. Ela só se realiza plenamente quando consegue viver relação. E isto pode acontecer no Povo de Deus. Temos uma bela descrição do que seja pessoa com João Paulo II: pessoa é dom sincero de si para os outros.
NMI n 42: “... se torna necessário um decidido empenho programático da Igreja universal e das Igrejas particulares: o da comunhão (koinonia), que encarna e manifesta a própria essência do mistério da Igreja. A comunhão deve acontecer e se estender até a pessoa mais esquecida da comunidade. NMI n 43 “Espiritualidade da comunhão significa também a capacidade de sentir o irmão de fé na unidade profunda do Corpo místico, isto é, como um que faz parte de mim”, para saber partilhar as suas alegrias e os seus sofrimentos, para intuir os seus anseios e dar remédio às suas necessidades, para oferecer-lhe uma verdadeira e profunda amizade”. Aqui é necessário um empenho específico do agente de pastoral nas comunidades eclesiais. Onde se constrói comunhão está se construindo Igreja.
Lembremos e tomemos, mais uma vez, consciência que neste mundo individualista em que vivemos também nós nos tornamos individualistas. O risco de dispensar a vida da comunidade é uma tentação que se abate sobre nós como um demônio tempestuoso. O que exige de mudança de vida em nós a vivência de comunhão e participação? Dom Dadeus diz: “Mais difícil, porém, é dar testemunho da convivência cristã, que forma comunhão eclesial: ser mártir desta convivência, dando a vida por ela, para não rompê-la, nem permitir que seja rompida” (A Igreja de Cristo, p 89)
Participação, que pode ser expressa pelo vocábulo corresponsabilidade, supõe que todos os fiéis estejam empenhados na construção do Reino de Deus e tenham acesso a todos os bens que dele possam vir. “A evangelização é um chamado à participação na comunhão trinitária.” (Pb 218).Ter participação é reconhecer que há um todo que precisa ser preservado sob risco de morte. Se a alguém é vedada a participação dos bens do Reino é vedada ao todo. Será por isso que há muitos sinais de morte? O outro modo de participação é a oferta de auxílio na construção da Igreja, sinal do Reino. Ainda não há participação e corresponsabilidade enquanto as pessoas procuram fazer “o que o padre pensa”. Embora este seja um grande iluminado, o Espírito Santo também está gemendo em todo o povo de Deus (cf Rm 8,23). Os padres não “respondem sozinhos” diante de Deus pelos sucessos ou insucessos da paróquia. Todos os participantes (se de fato assim os fazemos ser!) são corresponsáveis. Para que a participação e a corresponsabilidade sejam efetivas é preciso acontecer a descentralização (cf.D Grings p109).
E nesta tarefa os diáconos e esposas poderão ajudar muito.
Recordemos, por fim, a frase que resume a participação total de cada membro da Igreja com a frase de 1 Cor 14,26: “Quando estais reunidos, cada um de vós pode cantar um cântico, proferir um ensinamento ou uma revelação, falar em línguas ou interpretá-las, mas que tudo se faça para a edificação”. Um dia, quem sabe, seremos de novo uma comunidade onde cada um se sente responsável pelo crescimento e vivência de todos.São Paulo também diz que somos um povo de iguais: “Não há mais grego ou judeu, homem ou mulher, escravo ou livre pois todos são um em Cristo”. Não há, portanto, cristãos de primeira ou segunda categoria.
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