Para aqueles que estão em Recuperação, quer seja de substancias psico activas ou comportamentos, devem procurar lidar com os seus sentimentos de uma forma construtiva. Viver as dificuldades do dia-a-dia, viver no presente, pode ainda ser extremamente frustrante e penoso se pensarmos que Recuperação significa mudança e, em alguns casos, recomeçar do zero. Esta realidade acarreta desafios e adversidade, reconquistar a confiança e a honestidade, adaptação ao sistema familiar, superar o estigma, quebrar as barreiras da negação e enfrentar a vergonha tóxica. Recuperação não significa cura e não é um acontecimento isolado, mas um processo de transformação de avanços e recuos.
Ninguém se torna adicto de um dia para o outro, por isso, a recuperação é também gradual e progressiva sendo importante o tempo. Este tempo, não é controlável, mas extremamente importante, muitas vezes sustentado em fracassos, na rejeição, na perda de controlo, nos erros mas também em pequenas "grandes" vitorias e desafios de crescimento emocional e espiritual.
Viver um dia de cada vez implica ter um plano e um compromisso para com a recuperação. Significa viver no momento presente, aqui e agora, um minuto, uma hora, uma manhã, uma tarde de cada vez. Viver no momento como se mais nada fosse realmente importante. Não alimentar a preocupação e ou ansiedade em ter resultados imediatos e milagrosos, do tipo "Eu quero ter uma relação... Quero ser aumentado no emprego... Quero ser aceite pela minha família…" Por vezes este "Quero" significa uma crença irreal de tudo ou nada, capaz de boicotar a recuperação.
Na minha opinião, desperdiçado muito tempo de nossas vidas, em preocupação, antecipando cenários catastroficos gerados pela nossa mente. Preocupados com o passado e com o futuro. Preocupados para que os outros gostem de nós e preocupados com as perdas. Sem ter a consciência, podemos transformar o nosso presente, numa mão cheia de problemas insolúveis e preocupantes. Todavia, quando chega o fim-de-semana ou o mau tempo, ficamos ansiosos por não ter nada para fazer. Viver no momento, “um dia de cada vez” pode significar:
- Flexibilidade; mudança nas crenças e valores morais e espirituais, confiar, entrega, fé e esperança, ouvir os outros e seguir sugestões.
- Planear; ser objectivo, concreto e realista. Avaliar os prós e contras.
- Rendição; reconhecer a impotência, a incapacidade de controlar as outras pessoas, ser honesto e pedir ajuda.
- Passado; não podemos modificar o passado. Reconhecer a doença. Lidar com o ressentimento, por vezes irracional, de uma forma construtiva.
- Futuro; não podemos antecipar e controlar as pessoas e o tempo, fonte de ansiedade e atitudes negativas. Evitar as projecções negativas. Podemos sonhar/ambição com objectivos (propósito) e desafios (sentido da vida), visualizar as metas; “Não viver nos castelos, mas podemos sonhar com eles.”
- Gratidão; elabore uma lista de coisas pelas quais se sente grato (humildade).
É possível interromper o processo destrutivo da adicção activa; é possível recuperar...um dia de cada vez.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
SE EU MORRER
Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase : ' Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus !' Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas ? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . . Sabe porque ? Porque... Ser seu amigo já é um pedaço dele !Vinícius de Moraes
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
A VIRTUDE DA ESPERANÇA
A Esperança contribui para a nossa santificação de três maneiras principais: primeiro une-nos a Deus; segundo, dá eficácia às nossas orações e terceiro e torna-se princípio de atividade fecunda. Une-nos a Deus desapegando-nos dos bens terrenos. A todo momento somos solicitados pelos prazeres sensíveis, pelo orgulho, pela sensualidade... enfim, pelas alegrias, legítimas e ilegítimas, da esfera natural. No entanto, a esperança quando apoiada numa fé viva e ardente, mostra-nos que a todas as felicidades terrenas faltam dois elementos essenciais: a duração e a perfeição.
Nenhum bem terreno é suficiente de si para satisfazer o ser humano uma vez que este foi criado por Deus com sede do infinito. Após o deleite, sempre há o enfado e saciedade. A nossa inteligência jamais se dá por satisfeita sem o conhecimento da causa perfeita, e o nosso coração não se contenta a não ser em Deus. Só Ele é a plenitude da bondade, da verdade e da justiça. E bastando-Se a Si mesmo, evidentemente, basta-nos a nós.
A esperança, unida à virtude da humildade, dá eficácia às nossas orações e nos obtêm dos céus os favores de que necessitamos. Ensina-nos o Eclesiástico: «E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol. Então passei a contemplar a sabedoria, e a loucura e a estultícia. Pois que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que outros já fizeram. Eclesiastes 2:11-12» Em seus milagres, Cristo nosso Senhor, jamais desprezou quem a Ele recorreu com confiança. Não atendeu Ele o centurião, o paralítico descido pelo telhado, os cegos de Jericó, a Cananéia, a pecadora pega em adultério e o leproso? Ademais não prometeu ele que "Amen, amen, dico vobis, si quis petieritis Patrem in nomime meo, dabit vobis" (Jo 16, 23)?
Afinal, nada honra tanto a Deus como a confiança n'Ele que não se deixa vencer em generosidade, concedendo superabundantes graças. Por fim, a esperança é um princípio de atividade fecunda. Primeiro, porque produz santos desejos, em particular, o anelo do Céu e de Deus. Ora, esse anseio dá à alma o impulso e o ardor necessários para alcançar o bem suspirado e ampara os esforços empregados para a obtenção do fim desejado. Segundo, aumenta-nos as energias por meio da expectativa duma recompensa que superará em muito os nossos empreendimentos. Se no mundo se trabalha com tanto afan para adquirir bens perecíveis, que as traças corroem e os ladrões roubam, com quanto mais razão não devemos nós esperar, quando buscamos uma coroa incorruptível! Dá-nos, ainda aquela coragem, certeza e constância que a certeza do triunfo produz. Então, é isto que nos dá a esperança, pois apesar de fracos por nós mesmos, somos fortes pela própria força de Deus.
Nenhum bem terreno é suficiente de si para satisfazer o ser humano uma vez que este foi criado por Deus com sede do infinito. Após o deleite, sempre há o enfado e saciedade. A nossa inteligência jamais se dá por satisfeita sem o conhecimento da causa perfeita, e o nosso coração não se contenta a não ser em Deus. Só Ele é a plenitude da bondade, da verdade e da justiça. E bastando-Se a Si mesmo, evidentemente, basta-nos a nós.
A esperança, unida à virtude da humildade, dá eficácia às nossas orações e nos obtêm dos céus os favores de que necessitamos. Ensina-nos o Eclesiástico: «E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol. Então passei a contemplar a sabedoria, e a loucura e a estultícia. Pois que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que outros já fizeram. Eclesiastes 2:11-12» Em seus milagres, Cristo nosso Senhor, jamais desprezou quem a Ele recorreu com confiança. Não atendeu Ele o centurião, o paralítico descido pelo telhado, os cegos de Jericó, a Cananéia, a pecadora pega em adultério e o leproso? Ademais não prometeu ele que "Amen, amen, dico vobis, si quis petieritis Patrem in nomime meo, dabit vobis" (Jo 16, 23)?
Afinal, nada honra tanto a Deus como a confiança n'Ele que não se deixa vencer em generosidade, concedendo superabundantes graças. Por fim, a esperança é um princípio de atividade fecunda. Primeiro, porque produz santos desejos, em particular, o anelo do Céu e de Deus. Ora, esse anseio dá à alma o impulso e o ardor necessários para alcançar o bem suspirado e ampara os esforços empregados para a obtenção do fim desejado. Segundo, aumenta-nos as energias por meio da expectativa duma recompensa que superará em muito os nossos empreendimentos. Se no mundo se trabalha com tanto afan para adquirir bens perecíveis, que as traças corroem e os ladrões roubam, com quanto mais razão não devemos nós esperar, quando buscamos uma coroa incorruptível! Dá-nos, ainda aquela coragem, certeza e constância que a certeza do triunfo produz. Então, é isto que nos dá a esperança, pois apesar de fracos por nós mesmos, somos fortes pela própria força de Deus.
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