quarta-feira, 19 de março de 2014

AUTONOMIA MASCULINA

Necessitamos do convívio, do apoio, da ajuda, do incentive dos outros, afinal, somos conectados numa grande cadeia de ações que fazem que o mundo funcione como ele funciona.

Autonomia é quando mesmo podendo fazer algo sozinho eu escolhe fazer acompanhado. Na realidade poucas pessoas realmente sabem o que é isso, apesar de acharem que são autônomas.

É como aquela criança que diz se virar bem sem a sua mãe por perto, mas nunca saiu de perto para ver se fica realmente bem. Muitos adolescentes se intitulam independentes, mas diante do primeiro aperto da realidade correm para buscar refúgio no colo dos pais.

Autonomia é poder responder por cada ação que tem sem apontar o dedo para culpados ou comparsas que não existiram.

Quando uma pessoa apóia seu bem-estar em um único pilar (filhos, família, trabalho, relacionamento amoroso, amigo) não é de se estranhar que sua vida entre em colapso quando perde esse apoio. O saci-pererê emocional sempre fica no chão quando machuca sua única perna.

A real independência emocional acontece quando você aprende a distribuir suas fontes de nutrição psicológica em vários pontos de tal forma que não fique refém de nenhuma em especial. Sobrecarregar alguém com sua necessidade compulsiva de apego seria até uma forma injusta de buscar amor, é muito peso para uma pessoa só.

Você sabe se é carente se qualquer coisa que qualquer um oferece será aceita. Por exemplo: “Ele não quer um relacionamento sério e eu quero. Não importa eu fico com ele mesmo assim”. Esse tipo de carência não é sadia. 

Ao contrário do que parece, 80 % dos homens são dependentes de suas  mulheres. Muitos entregam a elas a administração integral da vida e dos próprios desejos. 

Para ilustrar essa dependência lembrei-me de uma cena: Um casal, casado há 30 anos, conversava animadamente em grupos separados. Ele, um bem sucedido advogado, elegante e discreto, contava histórias de sua recente viagem. Quando foi servido o jantar, todos foram à mesa. E a cada momento, antes de pôr a comida no prato, ele se virava para a esposa e perguntava baixinho: “Julieta, eu gosto?”

É claro que a dependência masculina não se mostra necessariamente tão óbvia, se apresentando, na maioria das vezes, de forma bem mais sutil. Homens e mulheres têm um papel a desempenhar. Os meninos, para serem aceitos como machos têm que corresponder ao que deles se espera numa sociedade patriarcal — força, sucesso, poder. Não podem falhar nem sentir medo.

Onde se esconde, então, toda a fragilidade e dependência que observamos, na intimidade, em muitos homens? Sem dúvida, perseguir o ideal masculino da sociedade patriarcal gera angústias e tensões, sendo necessário então usar uma máscara de onipotência e independência absoluta. Por isso, parece adequada a afirmação de que “quando cai a máscara descobre-se um bebê que treme”. Mas por que tudo isso?

Quando pequeno, o menino tem com a mãe um vínculo intenso, que que deve ser rompido precocemente para que ele se desenvolva como “homem”. Permanecer muito perto da mãe só é permitido às meninas. Para os meninos isso significa ser maricas ou filhinho da mamãe. Os amigos e os próprios pais não perdem uma oportunidade de deboche ou piada a qualquer manifestação de sujeição à mãe.

O desejo de ser cuidado, acalentado, dependente é recalcado. Na vida adulta os homens escondem a necessidade que têm das mulheres mostrando-se auto-suficientes e desprezando-as. Tentam se convencer de que elas é que precisam deles, da sua proteção. Negando, assim, seus próprios impulsos de dependência, se sentem mais fortes e poderosos.

Contudo, quando o homem se sente atraído por uma mulher, dois sentimentos contraditórios o assaltam. Por um lado, o desejo de intimidade, de aprofundar a relação. Por outro, o temor de se ver diante do seu próprio desamparo e do desejo de ser cuidado por uma mulher. Talvez isso explique por que tantos homens que resistem ao casamento, optando por uma vida livre, em um determinado momento se casam e se tornam submissos, dependentes e dominados pela mulher.

Poucas vezes o homem tem oportunidade de relaxar, de baixar a guarda. Ficar doente, mesmo sem gravidade, é um ótimo pretexto. Entregam-se despreocupados ao saudoso cuidado materno, agora exercido geralmente pela namorada ou esposa. Solicitam atenção integral sem se importar em ser tratados como bebês.

O homem dependente não é autônomo. Autonomia implica não se submeter às exigências sociais, de modo a rejeitar características da própria personalidade consideradas femininas pela nossa cultura. O homem pode ser forte, decidido e corajoso, mas também frágil, indeciso e muitas vezes sentir medo, dependendo do momento e das circunstâncias. Pode falar dos seus sentimentos, ficar triste e até chorar. O homem autônomo só começa a surgir nesse momento, em que a mentalidade patriarcal começa a sair de cena.

AMOR OU DEPENDÊNCIA EMOCIONAL?

Muitas vezes as pessoas justificam a entrega total ao outro dizendo: “olha como eu amo essa pessoa!!!” e não percebem o quanto as suas fragilidades estão embutidas neste pensamento…

A pessoa anula-se de tal forma que perde sua identidade e exige do outro este empenho na mesma proporção. Quando não recebe esse retorno afetivo revoltam-se pela falta de gratidão e reconhecimento, chegando ao ponto de sentir uma raiva incontrolável sobre os outros e sobre si próprios porque fica com o sentimento: “Eu dei tudo de mim e não percebi mudanças”.

A pessoa estrutura a sua vida em torno da vida do “outro” de tal forma que é difícil para ela imaginar sua própria existência sozinha. O dependente emocional demonstra uma forma de dependência em relação às pessoas semelhante à dependência de drogas ou álcool, sexo ou compulsão alimentar e necessita de tratamento, pois pode destruir a própria vida.

São pessoas que apresentam baixa-autoestima, se auto-depreciam frequentemente e magoam-se facilmente com as opiniões alheias, além disso, apresentam dificuldade em expressar seus sentimentos por medo de sentirem-se vulneráveis.

Quando o relacionamento amoroso do dependente emocional chega ao fim, este tem a tendência em procurar outra pessoa problemática para dar início a um novo ciclo. O problema é que muitos adultos não amadurecem e permanecem como crianças por toda a vida num relacionamento amoroso. O ser humano se torna maduro no momento em que ama e não somente necessita do outro. Abastece sua relação de trocas e não só recebe… 

Uma flor que nasce no meio de uma grande floresta, exala seu perfume, demonstra sua beleza e leveza independente da admiração dos outros. Assim é o verdadeiro amor!

O dependente emocional demonstra uma dependência afetiva em relação a uma outra pessoa. Ele necessita da aprovação, aceitação e reconhecimento do outro para lidar com as situações da vida, pois não acredita no seu próprio valor, no seu poder de tomar decisões, fazer escolhas e até mesmo na sua capacidade de conquistar alguém e, muitas vezes aceita relações destrutivas como um prêmio de recompensa.

É uma pessoa submissa e insegura, pois sua percepção de si mesma é muito frágil. Sente-se incapaz de agir adequadamente sem o auxílio de outras pessoas e por isso recorre frequentemente aos outros para ser orientada, ajudada e direcionada, sendo que tudo isto surge da necessidade de satisfazer suas necessidades internas e não pelo desejo de estar na companhia da outra pessoa.

Uma pessoa dependente emocionalmente demonstra em suas ações e sentimentos uma fragilidade e carência que pode afetar negativamente seus relacionamentos, seja nas relações amorosas , como entre amigos, colegas de trabalho, pais e filhos, entre outras

O fato que torna mais grave essa situação é que o dependente emocional, muitas vezes, aceita qualquer tipo de relação por medo de perder a outra pessoa. Com o medo de ser abandonada, muitas vezes tolera abusos sexuais, verbais, físicos, entre outros.

A maneira como as crianças são criadas na infância são fundamentais para o desenvolvimento de adultos seguros, confiantes e independentes emocionalmente, portanto, a forma como somos educados e preparados por nossos pais, professores, avós e parentes mais íntimos possuem um papel prioritário em nossas vidas.

Os adultos dependentes emocionalmente geralmente foram crianças que não se sentiram amadas, queridas e importantes, desta forma, sentem a necessidade quase que vital de dependerem do amor de outra pessoa, já que não viveram isso em sua fase mais tenra.

Existem pais que culpam, desprezam, humilham e que não respeitam os sentimentos de seus filhos. As crianças que são tratadas assim sentem que não são dignas de serem queridas, amadas e passam a omitir seus sentimentos porque não sentem estes como sendo importantes.

O fato não é que os pais não amem seus filhos, mas muitas vezes com a intenção de acertar, supervalorizam o que seus filhos fazem de errado (apontando frequentemente uma falha) e desprezam totalmente as vitórias e as conquistas dele.

Outros tipos de pais protegem demasiadamente seus fillhos. É bastante comum que muitos pais protejam seu filho em excesso, satisfazendo todas as suas necessidades, como uma forma de compensar sua ausência frequente no papel de pai. Outros protegem demais por medo de “perder” o filho e ficarem sozinhos, desta forma, induzem os filhos a acreditarem que só debaixo de suas asas estarão seguros.

Os pais tornam-se permissivos em excesso, pagando todas as contas do filho, cedem coisas materiais sem limites e não incentivam os filhos a trabalhem fora para ganhar seu próprio sustento, ou seja, propiciam ao filho um mundo de fantasias que na realidade não existe.

Os filhos que não precisam fazer muito esforço para conquistar as coisas por si próprio, apresentarão dificuldades a ser mais independentes no futuro quando forem adultos , já que os pais supriram todas as suas necessidades.

Os pais precisam estimular seus filhos a adquirir autonomia e auto-confiança. Demonstrando amor e confiança nas ações de nossos filhos, desenvolvemos adultos com uma boa auto-estima, seguros de si e pouco dependentes da aprovação dos outros.

Tanto a falta de demonstração de amor e carinho como a superproteção exagerada podem desenvolver adultos dependentes. A criança que não sente que é amada, pode se tornar insegura em relação ao amor dos outros, pois cresce com a crença que não será amada nas relações futuras no decorrer de sua vida.

A criança precisa se sentir valorizada e amada para acreditar em si própria e na sua capacidade de se nutrir principalmente emocionalmente. Assim, se tornam pessoas completas e não pessoas que ficam à espera dos outros para se completar. Essas pessoas acreditam que são incapazes sozinhos (porque em algum momento alguém o fez acreditar que era incapaz). Por outro lado, não devemos superproteger nossos filhos para que ele possa aprender a caminhar com suas próprias pernas adquirindo segurança.

Necessitamos de uma forma de proteção mesmo depois de nos tornarmos adultos. Esta proteção significa um apoio emocional, mas muitas pessoas “dependem “ deste apoio como algo ou alguém que poderá salvá-lo de situações extremas e impedir suas frustrações. Essa é a dependência doente que faz com que muitas pessoas se mantenham em relações destrutivas e de muito sofrimento.

Neste processo fortaleceremos a sua auto-estima, tornando-o mais seguro e dependente de si próprio. Quando as pessoas começam a gostar de si mesmas, aprendem a cuidar de suas próprias feridas. Quando nos amamos, procuramos pessoas que nos valorizem e nos respeitem pelo que somos.

Este ciclo de dependência pode ser interrompido e desfeito quando a pessoa dependente, compreende que a solução do seu problema mora dentro de si próprio, pois precisa tomar responsabilidade por si, tomar conta da sua vida e assim ficar disponível para poder verdadeiramente amar.

A dependência emocional pode influenciar negativamente, cegar e impedir seu crescimento. Aprove-se mais, ame-se muito mais e dependa especialmente de você!

DEPENDÊNCIA EMOCIONAL - SUPERAR É POSSÍVEL

Cada relacionamento é diferente, tem as suas próprias características, regras, costumes, hábitos, formas de se expressar e de se projetar. Em algumas ocasiões, pode suceder que uma das pessoas experimente uma necessidade afetiva extrema com o seu parceiro, mostrando um padrão de submissão e idealização do mesmo. Estas pessoas são conhecidas como dependentes emocionais, uma vez que reduzem toda a sua capacidade de bem-estar e prazer à envolvência com o seu parceiro. Se considera que é uma pessoa emocionalmente dependente, recomendo que:

- Recupere o seu espaço. É importante que trate de recuperar aqueles espaços pessoais e individuais. Reúna-se com amigos sem o seu companheiro/a, faça atividades que lhe gerem prazer.

- Realismo. Evite idolatrar o seu companheiro/a, ele é um ser humano, e como tal, tem os seus defeitos e virtudes. Nem tudo o que faz e diz é correto. Lembre que seu companheiro/a é apenas gente para poder superar a dependência emocional.

- Expressão. O que você pensa e diz é igualmente importante, tal como o que o seu companheiro pensa. Quando não estiver de acordo com algo, diga-lhe. Não aceite tudo o que se diga com medo de o perder. Através das diferenças, também se constrói e consolida um relacionamento.

- Trabalhe a sua autoestima. Uma autoestima baixa é um dos fatores que conduz à dependência emocional, é por isso, que deve trabalhar a sua autoestima. Deve se valorizar e se cuidar.

- Repensar. Tome um tempo para pensar no seu relacionamento. Reflita sobre como era antes de o conhecer e todas as coisas que deixou de fazer pelo relacionamento. Talvez seja tempo de fazer umas mudanças na relação para que ambos se sintam melhor.

- Faça terapia. Se considera que não pode fazer estas mudanças por si só, vá a um terapeuta para que o oriente neste processo.

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